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Ainda somos os mesmos, e vivemos?…

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O mundo sofreu grandes mudanças nestes três últimos séculos. O ser humano se adaptou e ajustou às circunstâncias para sobreviver. Primeiramente a humanidade sobrevivia da extração de recursos naturais. O alimento era o mais importante. As famílias eram nômades porque se deslocavam de um lugar para outro menos explorado. Com a iminente falta de alimentos o homem começou a plantar para seu próprio sustento. O período agrícola.
Neste período houve acúmulo de riquezas. A produção que sobrava deu início ao mercantilismo. A produção em grande escala gerou a sociedade de consumo na era industrial. Homens tornaram-se pequenos robôs, sem tempo para descansar.
Nos anos que antecederam a segunda guerra mundial, dá-se o início um novo período, a era da Informação. Aqueles que possuíam maior quantidade de informação passavam a deter tecnologias que influenciavam todos os meios na escala de produção, surgindo a famosa frase “Informação é Poder”.
As notícias começaram a se espalhar mais rapidamente. Hoje conseguimos saber o que acontece no mundo inteiro em questão de segundos.
Agora, a comida não é o mais importante, e sim a informação e o conhecimento. Pessoas e notícias são conectadas por todo o mundo. Valores e crenças locais passam a ser globais. O fenômeno da globalização leva estilos e crenças de grandes centros a habitantes de pequenos centros, não sem causar algumas discrepâncias. Uma jovem em uma pequena cidade que deseja viver como a de uma metrópole, sofrerá consequências diferentes. Apesar das informações chegarem rápido, a mentalidade provinciana ainda tende a se conservar mais do que nas capitais. Por outro lado, não se pode mais querer viver somente o que acontece em seu pequeno mundo, porque o que acontece em uma parte do globo afeta a todos.
Nessa nova dimensão, o ser humano volta a perceber que o “bem” mais precioso que ele pode adquirir é o “conhecimento”.
As necessidades básicas mencionadas pelo psicólogo Adler, de teto, segurança e comida, são substituídas pela necessidade de consumir para ser feliz. Ter passa a valer mais do que ser.
Jean Baudrillard, filósofo francês acrescenta que o ato de comprar e ter coisas transforma-se em um novo mito tribal, a moral dos tempos modernos.
A informação também se transforma em uma mercadoria que cria tendências de consumo e modismos. O sistema capitalista é alimentado pela mídia e cria cada vez mais necessidades.
Condenando o capitalismo, Karl Marx denuncia acertadamente a manipulação do ser humano em criar no noutro uma nova carência para força-lo a um novo sacrifício para obter prazer, trazendo ruína econômica.
Na era da mídia, o real e a ilusão se misturam. Surge o simulacro. As pessoas começam a criar perfis falsos no Facebook, Twitter e redes sociais semelhantes, fingindo serem o que gostariam de ser ou o que querem que as pessoas pensem que são. Assim, a diferença entre o falso e a verdade, o real e o imaginário, cai por terra.
Toda simulação é uma ilusão, mas não se consegue mais perceber isto. Segundo Baudrillard, vivemos uma hipersimulação, numa hiper-realidade.
O que é uma política verdadeira? Faces sorridentes numa tela de TV, promessas longe de serem concretizadas com uma oratória impecável, ou as visões profundas e um mundo arruinado, porém simulado?
O que é o produto real que as pessoas inalam? A imagem de um homem bonito montado em um cavalo de raça com os dentes brancos e um sorriso largo? Ou uma substância tóxica que amarela os dentes, deixa o corpo com odor desagradável e causadora de inúmeros tipos de câncer?
O que é o carro da moda que você compra? Um automóvel pleno de inovações que vem com uma mulher bonita, bem vestida e elegante do seu lado? Ou um boleto com 36 prestações quase impossível de serem pagas?
A realidade evaporou. Hoje ela se consiste numa pilha de imagens, muita informação e inúmeros desejos. Os meios de comunicação não servem mais para informar, mas para empilhar e criar desejos no consumidor sempre ávido por novidades.
A mídia controla a sociedade: as ideias não são mais nossas. As mentiras tornam-se verdadeiras. O jeito de vestir, calçar e pentear é ditado por telenovelas. Caminhamos como a vida de Truman, no filme Show de Truman: tudo planejado pela mídia. Pensamos que temos liberdade, mas esta também é ilusória.
Deseja-se a mulher ou o homem indicado pelos moldes da mídia. No seu imaginário, os prazeres e sua autossatisfação vêm em primeiro lugar. Os relacionamentos tornaram-se líquidos com duas teclas fundamentais para não ser mais incomodado: deletar e bloquear.
Diante desse quadro, ainda queremos as mesmas coisas que nossos pais: amor, companhia, segurança. Porém, ao abrir mão de regras, adquirimos alguma liberdade, e perdemos a segurança. Confundiu-se o amor por prazer, companheirismo e cumplicidade por individualismo.
Somos os mesmos e vivemos bem diferentes dos nossos pais. Nosso gene egoísta se desenvolveu e cresceu. Solidariedade anda as portas da morte. Meu mundo, meu umbigo, meu prazer, é só isso que me interessa, afirma o ser humano pós-moderno.
Aonde vamos parar? Precisamos reconhecer o rumo que estamos tomando e parar para refletir para onde queremos ir. Como começamos a ruir? O que fazer para frear nosso rumo à destruição? Solidariedade, altruísmo, amor a Deus, ao próximo, auto aceitação precisam ser valores resgatados urgentemente. Só assim encontraremos nosso verdadeiro sentido de vida.

Silvia Geruza F. Rodrigues

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5 comentários

  • Nerio Sacchi Jr. disse:

    Parabéns, pastora Geruza. Resumidamente, vc apontou fatores q afetam a nossa percepção de mundo e nos desviam da nossa construção como sujeitos interagentes com as Coisas(seres no mundo).

  • Nerio Sacchi Jr. disse:

    “Somos os mesmos e vivemos bem diferentes de nossos pais”. Creio de ”somos os mesmos” apenas na essência e parece-me que ”vivemos bem diferente de nossos pais”. Ótimo convite à reflexão a sua assertiva. Parabéns, novamente.

  • Adalto disse:

    Concordo plenamente com sua análise. Que Deus nos livre de soluções hipócritas, como as propostas, ainda que de forma sub-repticia, político-partidarias, religiosas, ou de qualquer outra ideologia wue não seja a divina: amor a si mesmo e ao próximo.

  • Zilda Vargas disse:

    De extrema urgência refletir sobre como vivemos. Parabéns pela atitude. Abraços.

  • Andreia Abirached disse:

    Eu chamaria esse texto de “Enganando e sendo enganado”.

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