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Brincadeira de mal gosto?! ou Violência de Gênero?

Brincadeira?! De mal gosto ou violência de gênero?

Silvia Geruza F. Rodrigues

Vídeo de três jovens senhores cantando uma música desrespeitosa sobre as partes intimas da mulher,

com uma jovem russa no meio repetindo a música, por não saber do que se tratava, viralizou.

Correu por tudo que é rede social.

Os três, na folia, filmaram cantarolando com a mocinha russa, ingênua, sem nem imaginar o que eles estavam fazendo.

Porém, muitas pessoas se indignaram e conseguiram descobrir o nome dos engraçadinhos.

Eles “pediram desculpas” e falaram que estavam fazendo tempestade em copo d’água.

Ficamos indignadas, porém, esse tipo de assédio e “brincadeira” é muito comum no macho brasileiro.

Considerado um dos países mais machistas da América Latina, o Brasil é um reduto de machos que se acham

a última cocada do pedaço.

Mulheres não conseguem andar nas ruas sem constantemente levar assobios, mãozinhas “bobas” nas nádegas,

nos seios.

Homens se acham no direito de ejacular no ombro das mulheres passageiras, e, pasmem vocês,

ainda dizem que não é ação passível de prisão. Afinal de contas, não foram pegos fazendo coisas piores.

Constantemente no Brasil, ir à delegacia prestar queixas de um abuso sexual,

assédio sexual ou até mesmo de estupro, faz com que a mulher passe por constrangimentos,

humilhação e com ar de descrédito as perguntas cínicas são feitas, justamente para colocar

a culpa do assédio ou abuso na vítima.

Não admira que muitas mulheres desistem de fazer boletim de ocorrência para evitar tais situações constrangedoras.

Se uma advogada pede para acelerar o processo, poderá ouvir frases como: “Dra. Você está assistindo muito filme americano. Estamos no Brasil”.

Sim, estamos no Brasil. O país que faz pouco caso de suas mulheres. O país onde os homens mexem com as meninas que andarem de minissaia, top, shorts, o país que faz propaganda comercial com jogadores famosos e sua namorada na intimidade, para vender lingerie. O país que até pneu quer vender com outdoor de mulher nua em cima dele.

O país que tem a frase: “Vamos dar o jeitinho brasileiro”. O jeitinho brasileiro quer sempre dizer: burlar as leis.

A Lei Maria da Penha, que decreta prisão imediata a homens que espancam as mulheres, completou dez anos.

Mas, configura-se numa lei para “Inglês ver”. O homem é solto logo depois para continuar ameaçando a vítima, e muitas vezes matá-la.

Segundo a ONU, a taxa de feminicídios é de 4,8 para 100 mil mulheres, a quinta maior do mundo,

segundo dados da Organização Mundial da Saúde, prevalecendo, o número de assassinatos de mulheres negras,

que em dez anos – de 2003 a 2013 aumentou 54%.Para nossa assombração, 33,2% dos homicidas

eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas.

Para você que acha que estamos fazendo uma tempestade em copo d’água em nos indignarmos

com o que fizeram com a jovem russa. Nossa indignação transcende a brincadeira de muito mal gosto.

O que eles fizeram se configura  na expressão do machismo e da desvalorização da mulher  desses brasileiros.

O que eles fizeram só demonstra o nível de falta de conscientização que ainda temos

sobre a igualdade da mulher em capacidade intelectual e como cidadã.

Precisamos nos conscientizar do inconsciente coletivo no imaginário popular brasileiro

de que a mulher é o sexo frágil, que seu papel é em casa esfriando a barriga no tanque e esquentando no fogão e na igreja calada no último banco.

Precisamos de mais leis que protejam as mulheres. Precisamos de mais mulheres na bancada estadual, federal, senado.

Nosso voto precisa ser feminista mesmo. Precisamos derrubar os argumentos machistas de que o feminismo fere a “família”, assusta o homem, persegue o homem.

Como deixar de ser feminista se 1 em cada 4 famílias é liderada por uma mulher.

Como deixar de ser feminista quando a mulher ainda ganha 30% a menos que o homem,

ocupando o mesmo cargo em uma empresa. Na indústria cinematográfica,

uma atriz com a mesma importância de papel, ainda ganha 50% do que seu parceiro no filme.

Fato contra o qual elas estão se levantando e protestando ao não aceitar papéis

se não for para ganhar o mesmo que o parceiro.

Como deixar de ser feminista se o número feminicídios no Brasil se configura no quinto maior do mundo!

Não dá para se calar. Não dá para não lutar contra o descaso da polícia brasileira.

Não dá para se calar sobre as leis que não protegem a mulher da violência doméstica

, do assédio, do abuso sexual e do estupro.

Não, machos brasileiros. Não estamos fazendo tempestade num copo d’água.

Estamos dizendo BASTA!

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