Encontro íntimo

Bem vindo!

Este é um espaço para falarmos sobre assuntos que raramente são tratados em público e que considero necessários para uma vida saudável e alegre. Espero que você seja edificado e também se divirta!
Obrigada por sua visita!

Home . Artigos . Casar é fácil, o difícil é permanecer casado.

Artigos

Casar é fácil, o difícil é permanecer casado.

pintura-em-painel-70x90-casal-quadro-parede-katia-almeida_MLB-F-3022291322_082012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Casar é fácil, difícil é permanecer casado

Silvia Geruza F. Rodrigues

Este ditado popular ainda é do século XX. Antigamente, casar era muito fácil: Conhecia um parceiro ou parceira, namorava, noivava com direito a pedido aos pais e festa, marcava a data da cerimônia, um vestido de noiva, decoração, recepção, e os noivos partiam para a lua de mel.

Os convidados levavam arroz e jogavam nos noivos como sinal de desejar boa sorte e felicidade no casamento. Simples assim. Casava-se para constituir uma família e por amor ( na maioria das vezes). Sonhos de construir um lar e realmente permanecer juntos “até que a morte nos separe”, assim nos ajude Deus. Por um lado temos cerimônias imponentes, cheias de detalhes, caras, por outro, os noivos parecem não se importarem muito com um padre ou pastor abençoando seu relacionamento. Laços duradouros são raros nos dias atuais.

Muitos ministros usavam o seguinte versículo na cerimônia: “As palavras que digo não são meros adendos ao seu estilo de vida, como a reforma de uma casa, que resulta em melhora de padrão. Elas são o próprio alicerce, a base de sua vida. Se vocês puserem essas palavras em prática, serão como os pedreiros competentes, que constroem sua casa sobre a solidez da rocha. A chuva cai, o rio avança e o vento sopra forte, mas nada derruba aquela construção. Ela está fundamentada na rocha. “ Mt 7: 24-25.

Contudo, na sociedade que vivemos, o prazer substituiu o compromisso. Segundo Zygmunt Bauman, o homem teve que escolher entre a segurança e o prazer e ficou com o último.

As pessoas hoje são tratadas como objetos de consumo: Quando não suprem as expectativas do consumidor, são devolvidos ou jogados fora. A única diferença é que objetos de consumo, segundo Bauman, “coisas arquetípicas desprovidas de sentidos, pensamentos e emoções próprias” poderiam ser descartados facilmente. Mas, o ser humano sofre com a rejeição. Como os consumidores não necessitam prometer lealdade aos produtos, trocam-nos quando surgem outros objetos mais atraentes. Bauman denomina este descontentamento constante de “fadiga do prazer”. Lembro-me de uma charge postada em uma das redes sociais quando uma jovem pergunta a um casal velhinho de mãos dadas qual o segredo de seu relacionamento, ao que eles respondem: Somos de um tempo quando consertávamos o que estava quebrado, não o jogávamos fora.”

Obviamente que sempre aparecerão mulheres mais jovens, mais bonitas, mais ricas, mais inteligentes do que aquela que o homem escolheu para se casar. Da mesma maneira, homens mais belos, mais fortes, mais ricos, mais jovens do que a mulher escolheu para se casar. Seremos sempre seres desejantes, querentes e carentes. Indigno-me quando comento de algum amigo que se divorciou por ter traído sua esposa com uma mulher mais da metade da idade dele, e quando outros amigos respondem: “pelo menos ele acertou desta vez.” A mulher bem mais nova que ele, certamente é mais bonita que sua ex-esposa. Porém, devemos nos lembrar que quando ele se casou, sua mulher era jovem, esbelta (provavelmente) e bonita. O tempo corrói a beleza exterior. Depois dos quarenta a lei da gravidade é inclemente com as mulheres: tudo começa a cair.

Escolher entre a segurança, o amor companheiro, o carinho, o conforto da família e o prazer da aventura, do novo, exige maturidade. Toda mulher e todo homem envelhece e muda suas características exteriores, e muitas vezes interiores. Quantas vezes se mudará de parceiro (a), até que estejam totalmente satisfeitos?

O sociólogo Anthony Giddens usa um termo para relações cujo único vínculo é o prazer: “relações puras”. Nestas, não existe reciprocidade e o rompimento pode ser unilateral. Neste tipo de relacionamento não existe segurança, e sim angústia. Um dos indivíduos é moralmente insensível e não leva em consideração o bem-estar ou os sentimentos do outro. A permanência em um relacionamento é somente até quando uma outra ‘mercadoria’ mais atraente surgir. A capacidade da satisfação torna-se cada vez menor e mais reduzida.

Casamento pressupõe responsabilidade, rotina, realidade. Todavia, espera-se sempre o ideal romântico da constante aventura, do frio na barriga, na espinha, na sensação eufórica dos dias iniciais do namoro. Meninos chorando à noite, fraldas para trocar, contas se acumulando por debaixo da porta, ou na caixa de correios não se encontravam no imaginário do jovem casal. Canos entupidos, paredes sujas e rabiscos de crianças espalhados pelo apartamento, torneira gotejando, pia vazando exigem do homem, geralmente, tarefas múltiplas: encanador, eletricista, pintor. Da mulher exige-se uma nova profissão: mãetorista. Levar os filhos para a escola, aulas de música, esportes, balé, etc. Além de tudo isso, espera-se viver uma relação sexual intensa e frequente. O cansaço e a responsabilidade se encarregam de desgastar a relação.

Chegar no trabalho e receber elogios dos (das) colegas levanta a auto-estima, estimula a continuar a luta pela sobrevivência e desperta novos desejos. A realidade não é prazerosa, portanto, trata-se de se livrar dela e de “viver num mundo feito apenas dos próprios desejos.” (Bauman, 2014,p.182).

E necessária maturidade para seguir os princípios ensinados nos versos de Provérbios 5: 19-23 ( A Mensagem): Alegre-se coma sua esposa e companheira desde jovem, (…) e nunca deixe de se deleitar em seu corpo. Nunca ache que o amor está garantido para sempre, mas conquiste a mesma mulher todos os dias. Por que trocar a intimidade verdadeira por prazer momentâneo com uma prostituta ou por um flerte com uma promíscua qualquer? (…) A morte é a recompensa da vida insensata: suas decisões impensadas o levarão a um beco sem saída.“

Trocar a intimidade, a confiança, a segurança do aconchego familiar em busca de aventuras pode ser prazeroso, mas trará solidão, arrependimento e muitas vezes a morte da sua alma.

Compartilhe

1 comentário

Deixe seu comentário