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HISTÓRIAS CRUZADAS: racismo, preconceito e desumanidade

FILME dirigido por Tate Taylor, narra a história de uma jovem recém-formada (Skeeter)- Emma Stone na pequena cidade de Jackson no Estado de Misssissipi, na década de 60 quando a divisão entre negros e brancos era acentuada pelo apartheid. Banheiros, filmes, locais separados para “colored” e “white”. No Sul dos Estados Unidos o racismo era ainda mais acirrado. As babás negras, também chamadas “amas de leite”criavam os filhos das brancas com amor e carinho sem esperar nada em troca. Era o que faziam e sabiam fazer, até que uma das personagens cria uma iniciativa de também ter banheiros separados para as babás negras. Skeeter tem que conviver com suas amigas egoístas e insensíveis, mas resolve escrever um livro com os depoimentos de várias babás negras sobre como se sentem e suas histórias vividas nas casas dos brancos. Uma personagem chama a atenção: uma branca, considerada “white trash”- lixo branco, que não se enquadrava nos padrões burgueses das outras amigas por ter casado grávida. Esta não fazia distinção entre sua empregada doméstica negra e ela, almoçando com ela e fazendo dela (Minny) sua confidente. Minny ( Victoria Spencer) inclusive ganhadora do Oscar como melhor atriz coadjuvante, ousa desafiar uma ex-patroa que a maltratara por ter usado seu banheiro. Sua ex patroa chegava ao cúmulo de medir os pedaços de papel higiênico com lápis para ver quanto ela gastara.

No meio de tanta pompa, o espectador, creio que de qualquer raça, sente-se indignado e até mesmo incomodado ao ver a discriminação entre os patrões e as babás. Insensibilidade, egoísmo, arrogância e discriminação são depictadas neste filme tocante e verdadeiro.

Sentimo-nos incomodados e envergonhados pela discriminação ao assistir ao filme. Porém, será que o racismo e preconceito não prevaleceram? Haja vista que no Brasil em todo apartamento e casa há o banheiro da empregada. Diga-se de passagem que os quartos e banheiros de empregada são uma vergonha. Pequenos, quentes, e banheiros cujos chuveiros caem em cima do aparelho sanitário, em sua maioria. Conheço patrões que compram biscoitos recheados para eles e biscoitos água e sal para os empregados da casa. Conheço patrões que compram carne de primeira para eles e carnes duras e de terceira para seus empregados. Conheço patrões que contam barras de chocolate e biscoitos para verem se seus funcionários comem do que compram para si. Por que será que a personagem considerada “white trash”era chamada de tal? Será porque era sensível? tinha humanidade? honrava a pessoa que a servia tão bem?

Sininhos e uniformes para as pessoas que trabalham nas casas de famílias no Brasil ainda existem. Discriminação e preconceito ainda existe. Interessante que se desprezam as próprias pessoas que lhes servem, ajudam e que sem elas suas vidas virariam um caos. Babás viajando de branco de avião com crianças, para mim, constituem-se um absurdo e uma humilhação. No Brasil podemos não ter preconceito racial, mas com certeza temos preconceito social.

No final, ao morrermos, iremos todos para o mesmo lugar. Talvez não. Lembro-me de um relato bíblico de Lázaro, um pobre mendigo que se quedava diariamente na porta de um homem muito rico e insensível. Morreram os dois. O homem rico, segundo o relato, queimando no inferno, pedia a Lázaro que tocasse na sua língua para apaziguar sua sede. Recebeu a resposta de que isto seria impossível pois não haveria comunicação entre os que estavam do outro lado. O homem rico implorou então que Abraão enviasse o próprio Lázaro para avisar aos seus familiares o que lhes aconteceria se fosse como ele. Isso também era impossível. Que ouvissem os profetas quando falavam sobre bondade.

Moral da história: Creio que o que o relato queria nos mostrar era: arrogância, prepotência, sentimento de superioridade, indiferença à miséria do outro, egoísmo, preconceito racial ou social podem lhe levar para o inferno. Cuidado com isso! Mude enquanto está vivo!

Aprendamos que não devemos desprezar uma pessoa dotada de espírito , alma e humanidade tanto quanto você, só por causa de uma cor diferente da sua, de uma raça diferente da sua, de uma posição social diferente da sua, de uma religião diferente da sua, de uma orientação sexual diferente da sua. Ame e faça o bem a todos no dia que se chama hoje!

Ah, recomendo muito o filme! Chorei e aprendi muito com ele! Veja-o você também!

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