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Crianças não são animais



Silvia Geruza F. Rodrigues

Recentemente vi um post sobre um desfile de crianças e adolescentes de um orfanato, para futuros adotantes. A criança e o adolescente era maquiada, bem vestida e tinha que mostrar todo seu charme na passarela na esperança de que alguém da plateia ( que se prestou a esse papel) pela sua aparência, tivesse vontade de lhe adotar.

Confesso que pensei que era uma notícia falsa, porque não consegui acreditar que o ser humano idealizador de tal evento pudesse chegar a esse ponto de insensibilidade e de degradação do próximo. Esse desfile me lembrou exposição de gado que eu ia com um tio meu quando pequena para ele comprar gado para suas fazendas. Ou mesmo uma exposição de quadros em uma galeria onde você escolhia o que mais gostava. Podemos também comparar com feiras de adoção de cachorros e gatos que acontecem a cada dois meses em locais determinados nas cidades. 

Quem tem filhos e filhas sabe que criar e educar filhos não envolve somente uma boa maquiagem, boa roupa. Eles caem, se sujam, choram alto, berram, acordam à noite com pesadelos, dizem não com frequência. Na adolescência então, é uma luta para tomar banho, passar fio dental, escovar os dentes quando acordam, depois das refeições e antes de dormir.

Filhos e filhas também nascem feios ou feias. Nem todos nascem bonitos, arrumadinhos, charmosos. Adolescente, geralmente, reclama muito e chega uma hora que nem quer que você o abrace ou beije, muito menos bater foto dele ou com ele. Adolescente critica tudo que vê, geralmente. Então, criar filhos não é beleza, não é charme. Filhos e filhas não são escolhidos pela aparência, por desfiles. 

Adotar é doação, mas também é ter o privilégio de dar e receber amor a uma criança ou adolescente que precisa de um lar. Adotar é mais do que um desfile em uma passarela. Praticamente há mais números de adotantes : 40.000 do que crianças para serem adotadas – menos de 10.000 crianças. Você pode ver dados mais precisos no link < https://www.nexojornal.com.br/grafico/2017/08/11/Adoção-no-Brasil-perfil-de-crianças-e-pretendentes-e-como-funciona-o-processo> . Portanto, qual a necessidade de expor crianças e adolescentes a esse tipo de evento. Imaginemos cada criança que não é escolhida. As emoções, o sentimento de rejeição, a humilhação, a competição existente. A vontade de ser bonito ou bonita, as expectativas frustradas.

Os sentimentos dessas crianças e adolescentes não foram levados em conta. Podemos até imaginar que houve boa intenção, mas os promotores desse absurdo devem saber mais do que nós das circunstâncias e dos dados de adotantes e crianças adotadas, e de que expor essas crianças não é e nem nunca será um método humano de se praticar a adoção e de dar um lar definitivo para essas crianças. Que possam ter lares amorosos o mais rápido possível, mas esse não é o caminho certo.

Mais amor, mais sensibilidade e mais lucidez é o que precisamos nessa situação.

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2 comentários

  • Suely Bodart disse:

    Concordo plenamente. Isso sem considerar que todas as crianças adotadas trazem consigo o trauma da rejeição, mesmo que não se manifeste a principio.

    Não ser aceito para adoção em um desfile como esse é ser rejeitado duplamente. A mais completa insensibilidade!!

  • Ana Cris disse:

    Isso me remeteu a época da venda de escravos,um horror .

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