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CONFESSO QUE VIVI

Edith Piaf, uma cantora francesa com uma vida muito sofrida, iniciou cantando nas ruas de Paris, como muitos artistas e músicos que até hoje vemos em ruas e metrôs. Perto do fim de sua vida gravou uma música que me chama a atenção: JE NE REGRETT RIEN- Não,não lamento nada. Não me arrependo de nada, nem do mal que me fizeram, nem do bem. Tudo é igual para mim. Não, nada de nada!

Interessante observAr que certas atitudes que tomamos na vida podem nos levar adiante repetindo os mesmos erros, ou presos por atos cometidos que nos prejudicaram ou ao próximo.

Nos dois casos, tanto viver sem se arrepender pode causar mal, como viver em constante lembrança dos erros podem nos congelar e cristalizar em posições impotentes sem conseguir levar a vida adiante.

Se por um lado, não se arrepender do mal que fez aos outros pode gerar cinismo e uma consciência quase que psicopata: sem sentimentos por si mesmo ou pelo mal que causa aos outros; como lembrar-se constantemente do mal-feito pode lhe paralisar e lhe mergulhar em uma depressão, imobilizando-lhe ou em auto-comiseração, como uma criança deitada no chão lambendo suas próprias feridas depois de uma queda.

Em nosso trajeto assumimos riscos, cometemos erros, acertamos algumas vezes. Para continuar vivendo, navegar é preciso, já afirmava Fernando Pessoa. Sem apegos ao passado, nem remorsos paralisantes no presente, podemos olhar para trás e verificar o que nos arrastou para o erro, tentar consertar, não repeti-lo, e viver o presente com a consciência do outro, sempre pensando em não fazer com ele o que não gostaríamos que fizesse conosco.

Olhando para trás,visualizo pessoas que me magoaram tremendamente, como também outras que me trouxeram enormes alegrias. Algumas levantaram minha auto-estima, outras me feriram profundamente. Algumas me fizeram sentir amada, outras desprezaram meu amor. Algumas com seus pequenos gestos me animaram a continuar vivendo, outras me tiraram o prazer de viver. Contudo, com a atitude esperançosa de que o melhor sempre está por vir, posso afirmar como um dos meus poetas prediletos: Pablo Neruda: Confesso que vivi.

Não posso afirmar como Edith Piaf, Je ne regret rien. Se eu pudesse, muita coisa que fiz não teria feito. Consertaria meus caminhos com a sabedoria que tenho hoje, que bom que tivéssemos quando jovens a sabedoria e a experiência que os anos nos presenteiam. Contudo, é justamente isso que os anos fazem: trazem-nos mais (pelo menos deveriam trazer) sabedoria, experiência e um pouco mais de juízo, eu diria.

O bom da vida é poder afirmar: entre o passado e o presente, confesso que vivi. O importante é viver, mas mais importante ainda é gostar de viver.

Silvia Geruza F. Rodrigues

 

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