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Impotência X Onipotência

 

Todos temos um pouco de sentimento messiânico, ou onipotente. Isto é, pensamos que temos o controle dos eventos ao nosso redor, ou senão que podemos prevê-los ou contê-los. Quando algo triste acontece fora do nosso controle e que nos deixa com um sentimento forte de impotência, é normal nos sentirmos inconformados com o fato de que não conseguimos ajudar alguém, ou que essa pessoa não tenha lhe procurado por ajuda.

Sentimentos de: “Como eu não sabia disso antes? ” “Por que ela, ou ele não me procurou?” “Como isto pôde acontecer debaixo dos nossos olhos? ” “Por quê, Por quê, Por quê.” Muitas perguntas sem respostas. E, uma de nossas tentativas é projetar nos outros uma culpa que nem devia ser nossa também.

Ah, se tivéssemos ligado. Ah, se os amigos estivessem mais juntos. Ah, se eu tivesse sido mais sensível. Ah, se, Ah se… E caminho adentro nosso sentimento onipotente e messiânico que nos leva a crer que podemos evitar certas catástrofes, ou salvar pessoas de acidentes ou de adversidades, corrói nosso pensamento e nos empurra para um mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa. Isto, quando não tentamos nos livrar dela e empurramos para outros ao nosso redor.

Sentimo-nos culpados quando achamos que temos a capacidade intrínseca de salvar a humanidade, ou pelo menos aqueles mais perto de nós. Sentimo-nos culpados quando não conseguimos penetrar na interioridade de alguém e fazê-lo sentir-se melhor.

O problema é que pensamos a vida linearmente, com efeitos deterministas: “Se eu fizer isso, acontecerá aquilo.”. Não, a vida é complexa, cheia de variáveis que não conseguimos controlar ou manipular, bem que tentamos, mas nem sempre conseguimos.

Já perceberam que quando uma esposa é traída, a primeira coisa que as pessoas começam a fazer é tentar achar um culpado? “Mas, também, ela era isso, era aquilo, era aquilo outro, Se ela tivesse feito isso, ou aquilo, ou aquilo outro.” Ou vice versa, sempre queremos encontrar respostas lineares de causa e efeito.

Precisamos aprender, e sei que é difícil, que nem sempre o que acontece na vida tem suas respostas. Morreremos sem saber os porquês de muitos incidentes ou acidentes. O interior do ser humano é inescrutável, imprevisível. E, nos resta nos acostumarmos com a vida cheia de riscos, mas também de oportunidades.

Quando algo ruim acontece, podemos aprender com ele, mas por favor, não me venham com palavras pré-prontas tais como: “Isso aconteceu com um propósito, para você ser uma melhor pessoa. Ou, Deus tem um propósito com isso”. Ou, sei lá mais o que.” Há momentos em que o melhor conselho é o silêncio. “Estou com você na sua dor.” Muitos, na ansiedade de aliviar a dor do outro e a sua própria, tentam usar clichês, que muitas vezes doem e desesperam mais do que ajudam.

Se Deus tem um propósito na morte de um filho ou filha, ou em uma traição. Que Deus é esse? ‘Se para eu aprender a ser uma melhor pessoa preciso passar por esta dor, prefiro continuar assim mesmo’. Pensam os que ouvem tais afirmativas.

O melhor a fazer é descobrir que não somos salvadores da humanidade, e que não temos o controle ou a resposta sobre os eventos da vida. Viver é arriscado e complexo, não temos todas as respostas, aliás, será que temos alguma? Precisamos ter? Sei que queremos, mas nem sempre é possível. Uma frase que acho interessante afirma: Quando penso que temos todas as respostas vem a vida e nos faz outras perguntas.

Sim, precisamos deixar nossa dor acalmar, sem buscar respostas, os culpados, ou nos sentirmos culpados  Necessitamos nos despir do sentimento de messianismo, ou onipotência. Não somos deuses. Nunca conseguiremos ajudar a todos ou evitar que eles se machuquem. Bem que tentamos, às vezes, mas uma coisa é tentarmos e outra é eles se deixarem ajudar. Não, não somos pequenos deuses, como afirmam alguns. Somos seres humanos falíveis, passíveis de erros, imperfeitos, por isto sem o controle das alternâncias que a vida nos apresenta.

Resta-nos somente calar, viver a dor em silêncio e andar mais juntos daqueles que amamos esperando que saibam que sua dor é nossa dor e que podem contar conosco sempre que precisarem. Basta chamar. Que estejamos prontos a lhes dar a mão, sabendo das nossas falibilidades.

 

Silvia Geruza F. Rodrigues

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