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Sentimento internético

 

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Sim. Começa a polêmica com o título. O certo seria sentimento internáutico ou internético? Ou de jeito nenhum? Escrevi propositalmente. Não quero saber de palavras bonitas ou poéticas e sim demonstrar meu sentimento misto sobre a internet.

Nem sei se o lado bom ou ruim vence. As notícias chegam a você mais rapidamente que há décadas. O mundo se apequena. Ao mesmo tempo sabemos o que acontece na Europa, Continente Africano, América do Sul, Central, no mundo inteiro. Por outro lado, notícias aflitivas caem nas nossas mentes imediatamente.

Viajei por muitos dias sem internet. Quanta paz. O mundo parece melhor e mais divertido. Fiz questão de não entrar em wifis para me desconectar propositalmente. Que alívio.

Qual não foi minha surpresa quando entrei no twitter em um domingo à noite e descobri que aconteceram duas marchas: uma para Jesus e outra gay. Se não houvesse a internet não teria tomado conhecimento de nenhuma das duas. Estava na igreja cantando, ouvindo a mensagem, e o mundo desabando lá fora entre guerras, bombas, ameaças de lá, de cá, votações escondidas no governo. Puxa, tudo isso em um dia?

Para não ver o que as pessoas fazem e nem que invadam minha privacidade, tenho somente página pública no facebook onde coloco minhas ideias profissionais. Por incrível que pareça muitas atividades que quero praticar na internet me pedem que me conecte via facebook impossibilitando-me de acessar certos artigos ou compras porque não tenho facebook no qual me conectar. Tal a força do facebook. Ele domina a vida de quase todos. Se não tiver facebook ele lhe faz se sentir fora da vida.

Vi numa propaganda uma frase que gostei muito: Viva mais e poste menos, ou escolha viver em vez de postar, ou Prefira viver em vez de postar. Qualquer uma das três faz sentido. Parece que hoje as fotos só valem a pena serem batidas se forem para serem postadas. Posta-se até no banheiro. Tudo que se faz, onde se vai ou deixa de ir é de domínio público. Em vez de se relacionar com as pessoas ao seu redor, muitos preferem se conectar no mundo virtual. Postar é a ordem do momento. Sem falar da tremenda falta de educação de quem se senta para uma refeição ao redor dos outros e os ignora para postar constantemente em qualquer que seja a rede social, que aliás deveria ser chamada de qualquer coisa, menos de social. O celular grudou-se nas pessoas, ou elas se grudaram no celular?

No facebook também se descobre como os “amigos” e “inimigos” pensam. Infelizmente as pessoas e suas mentes são controladas pela mídia. Não se lê mais. Acredita-se somente no que a mídia internética fala, mesmo que seja em postagens falsas. Ah, no facebook também sabemos como se escreve. Diga-se de passagem: pessimamente mal.

Já falou um filósofo: na internet ninguém está interessado na sua opinião, somente em emitir a sua própria em baixo do que você escreveu. Inútil tentar argumentar com alguém na internet. Ninguém quer dialogar. Monólogos são constantes. Já afirma meu marido constantemente: dois monólogos não formam um diálogo.

A internet pode ser um instrumento vil. Formam-se perfis falsos, histórias falsas para destruir com a vida de alguém. Não se consegue mais confiar em alguém. É aquele/a que troca mensagens de amor ou sexo, para depois imprimir e lhe ameaçar.

A internet também serve para influenciar as mentes vazias. Lutas e ódio são incitados a partir de uma semente viral plantada. Virou cabo de guerra: homoafetivos contra cristãos; cristãos contra homoafetivos; cristãos contra espiritualistas; espiritualistas contra cristãos e me parece que os evangélicos recrudescem a cada dia. Tornam-se mais retrógrados, mais conservadores, mais mente estreita do que nunca.

Às vezes penso que me encontro na idade média, na época das inquisições. Ai de quem ousar sair fora da caixa. Pedras e ameaças andam soltas na boca dos supostos cristãos. Todos tão “puros e inocentes” que só vêm erro quando sexo encontra-se em pauta. A mentira, o engano, o dolo financeiro, a manipulação, a incitação ao ódio, a falta de perdão: nada disso conta. Só me diga que você é heterossexual, e tudo está resolvido entre nós.

Sem contar quando se abre a tela do pc para ver seus e-mails: só notícia ruim: corrupção, estupro, assassinato, violência. Dá vontade de pedir: parem o mundo que quero descer.

Que saudade do tempo quando não havia TV, as famílias sentavam-se reunidas falando do dia a dia, os amantes falavam dos seus sentimentos à mesa de um restaurante. Que saudades de ver TV na vizinha, só de vez em quando; de ouvir meu pai cantando músicas esdrúxulas enquanto me balançava para dormir, em vez de ser embalada pelo barulho da TV.

 

Silvia Geruza F. Rodrigues

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