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A Mulher – vítima dos outros e de si mesma

Silvia Geruza Rodrigues

A Mulher – vítima dos outros e de si mesma

Desde muito tempo colocou-se sobre a mulher a responsabilidade pela harmonia do lar. Existe na Bíblia um verso que declara que a mulher virtuosa edificaria o seu lar. E esta foi escrita há séculos e séculos. No século XIX quando a sociedade não conseguia mais se sentir protegida por fatores externos tais como a economia e política, decidiu se voltar para o privado, e novamente recaiu sobre a mulher a “doce” responsabilidade de cuidar bem dos filhos, do marido e da casa. (E ainda alguns ousam afirmar que a mulher é o sexo “frágil”). Diante de tal responsabilidade, esperava-se da mulher que até mesmo as mazelas do lar fossem mantidas em sigilo por zelo à privacidade e bem estar do seu próprio ninho.

A violência sobre a mulher tem sido um assunto muito em voga, principalmente depois da lei Maria da Penha, que de certa maneira garante um pouco mais de segurança à denunciante. Fala-se muito sobre violência física, contudo gostaria de dissertar um pouco sobre vários tipos de violência.

A violência física, onde a vítima é atacada e muitas vezes sofre lesões.

A violência emocional (que considero a pior), onde a vítima recebe ataques verbais constantemente, lesando sua auto estima, seu senso de dignidade e sua saúde mental. Este tipo de violência é enfrentado por mulheres, diria que a maioria das vítimas, por não compreenderem que são violentadas nos valores que lhes são mais caros: o senso de dignidade humana, de valorização. Muitas delas recebem essa violência caladas por não sentirem ter apoio da família ou mesmo dos amigos ou da sociedade. Como provar na delegacia da mulher que sofreu violência doméstica se não há arranhões, olhos roxos, ou qualquer outra prova física, a não ser um adoecimento lento e progressivo no seu interior?

Por último, mas não menos agressiva- a violência da negligência ( exatamente como com as crianças). Mulheres que existem dentro de casa mas que não recebem do seu marido nenhuma atenção, nenhum sentimento de valor, nenhuma afetividade, deixadas ao léo, exercendo seu papel de cozinheira, dona de casa, lavadeira, passadeira e mãe. Só.Contudo, as vítimas também se vitimizam. Às vezes me pergunto por que tantas mulheres recebem os abusos tanto físicos e emocionais caladas, ou se submetem a permanecer com tais homens! Abomino um ditado popular que afirma: antes mal acompanhada do que só.
Talvez, esta suposta submissão aos maus tratos não sejam tão inocentes como aparentam. Talvez elas queiram permanecer ao lado do marido para se vingarem e recriminá-los exigindo que exerçam um papel que eles não mais desejam. Sem coragem de enfrentar o vazio de um futuro incerto, muitas mulheres prefiram permanecer ao lado do agressor permitindo a continuidade da violência.

Contudo, no meio cristão os conselheiros podem também perpetuarem tal comportamento. Colocando a culpa e total responsabilidade dos atos do homem sobre uma entidade denominada Satanás, Lúcifer, demônio ou simplesmente de “inimigo”, as igrejas tentam através de fórmulas mágicas ajudar mulheres vítimas de violência a provarem sua “espiritualidade”ao aceitar seu papel de “submissão”, segundo elas, conforme a Bíblia as inspira, e quietude colocando tudo “aos pés do Senhor”.

A violência pressupõe uma hierarquia onde o mais forte sobrevive, e esta é enfatizada na maioria das igrejas. “O homem, como cabeça, tem direito ao seu corpo. Se você realizar 7 semanas, 7 dias ou 7 sei lá que tempo de oração e jejum você conseguirá reverter o quadro de tudo que está ocorrendo com você e sua família. Novamente, você mulher é responsável pelo bom andamento do seu lar, como há séculos se propõe isto. Se algo encontra-se errado no seu relacionamento, no seu lar, na sua família, a culpa é inteiramente sua, cabe a você então tentar resolver”. Afirmam os “grandes especialistas cristãos” da família.

Enquanto isso, o número de violência física e emocional contra a mulher cresce e se sustenta entre as mulheres evangélicas, sem a possibilidade de mudança, pois a harmonia conjugal envolve a vontade de ambos, depende da história individual de ambos, da dinâmica existente entre o casal. Tantos fatores envolvidos para sermos simplistas e indicar fórmulas “espirituais” enquanto o emocional e o físico se desintegram passo a passo.

Às vezes me pergunto se somente “orar” para que um relacionamento dê certo ou seja reparado ou reconstruído seria o suficiente para que haja uma mudança permanente. O que ambos guardam dentro de si para que este relacionamento possa ser modificado e o amor restaurado? Ambos encontram-se dispostos a trabalhar seus desencontros? Seria bom pedir a Deus a “obrigar” seu marido a permanecer com ela sem que ele queira uma mudança de atitudes, até consigo mesmo?

Claro que num tema tão amplo e complexo não conseguiríamos elucidar todos os fatos que influenciariam a permanência da vítima no local do abuso. O contexto sócio-econômico, o medo da vingança, uma falta de luz no fim do túnel. Famílias indispostas a ajudar, pai e mãe fazem-se de cegos diante do perigo eminente que suas filhas correm ao permanecer com o violento agressor, “cobra”- isto é, aquele que mostra um comportamento anti-social, sádico e violentos mesmo em outras esferas sociais. (Jacobson & Gottman- 1988).

Medos do desamparo, do futuro incerto, abandono, insegurança ou promessa de fórmulas mágicas, podem ser citados como causas da continuidade da violência. Porém, mais, muito mais que tudo isso é a imposição de que a mulher carrega sobre seus ombros a tarefa de manter a boa ordem e harmonia do seu lar a qualquer custo, mesmo que para isso perca sua alma e sua sanidade mental.

 

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1 comentário

  • Silvana David dos Prazeres disse:

    A mulher pode ter sonhos e viver seus sonhos.
    Decidir, opinar,realizar.
    O mundo é que nos limita, não a palavra de Deus.
    Nós não precisamos ser iguais aos homens,como o feminismo prega,nem o homem se sentir frustado ante o desenvolvimento de sua mulher.
    A ordem de Deus foi para que caminhassem juntos, fossem cumplicies de algo maior.
    Nós mulheres somos a glória do homem, porque Deus nos fez para completa-lo, agora ele não está só, ele tem um semelhante para conversar, admirar e se alegrar em cada conquista.

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