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A Todas as mães esquecidas e negligenciadas

 

A todas as mães esquecidas e negligenciadas.

Silvia Geruza F. Rodrigues

Dia das mães é um dia comercial, isto todos já sabemos. Contudo, o gesto de uma filha ao visitar o túmulo de sua mãe tornou-se um dia institucionalizado e condicionou o imaginário de todas as mães e filhos já se condicionou. Dia das Mães é todo o dia: sim, mas dia de trabalho, dia de cuidados, dia de disciplina, dia de ser mãetorista para o inglês, para a natação, para a aula de karatê, futebol, ginástica rítmica, ginástica olímpica, escola, e por aí vai…Dia de ficar altas horas ou madrugadas no hospital com o filho ardendo em febre e falta de ar. Dia de ficar na UTI esperando sua filha se recuperar de um tombo enorme. Dia de fazer a comida correndo, o lanche para os filhos levarem para o colégio. Dia de dormir tarde e acordar cedo para depois de levar seus filhos à escola ir à luta para conseguir prover para o lar.

Muitas mães exercem o papel de pai e mãe. No Brasil uma em cada quatro famílias é totalmente liderada e sustentada por uma mãe sem o companheiro. Adolescentes engravidam para ficar com a criança e a responsabilidade quando o namorado se afasta e foge do ônus. Os homens geralmente querem o bônus, mas raramente o ônus. Ter prazer é muito bom, mas deveres com a consequência do prazer deve permanecer somente com a mulher, pensam eles. Em vez de brincar de boneca, maquiar-se ou ir para a balada, quantas não ficam com a responsabilidade de cuidar de seus bebês, quando nem conseguem cuidar de si mesmas. Mas, elas conseguem, com a ajuda dos pais, se forem compreensivos, quando não são chutadas de casa para se virarem como puderem.

Relembro agora da Fantini, uma das personagens centrais do excelente livro de Victor Hugo – Os Miseráveis. Na época em que ser mãe solteira era vergonhoso, Fantini engravidou do namorado, no ardor da mocidade. O rapaz se afastou dela deixando somente um bilhete. Mandou-a esperar algumas horas por uma grande surpresa. Ao ler um bilhete enviado por ele, a grande novidade foi a notícia de que ele havia viajado para outra cidade, pois considerava-se muito novo para assumir um compromisso sério. Fantini conseguiu empregar-se numa fábrica longe de seu vilarejo. Porém, demitiram-na logo que descobriram que possuía uma filha. Passou a levar uma vida infeliz. Vendeu seus dentes, seu cabelo e até se prostituiu para enviar o sustento de sua filha. Morreu de tuberculose ou pneumonia, muito nova. Esta história de uma mulher sofrida por arcar com toda a responsabilidade e por amar uma filha a tal ponto de dar tudo que tem para sustentá-la, trabalho, fome, frio consta em uma obra de ficção, contudo, descreve muito bem o amor de uma mãe e sua disposição de fazer qualquer coisa para que sua filha sobreviva.

Contudo, nem toda mãe é boa. O mito do instinto maternal perdura, apesar de muitos estudos provarem não ser verdadeiro. Quando o coração profundamente se endurece pela vida, a  maternidade torna-se um peso. Fantini representa o oposto na obra de Victor Hugo. A mulher de Thernadier, que vendeu seus dois filhos porque quatro eram demais. Usava as duas filhas que permaneceram para arrancar dinheiro das pessoas que se apiedavam delas. Semelhantemente, existem muitas que tiveram filhos sem nunca sentirem a alegria de serem mães.

Eu jamais conseguiria descrever o que torna um coração áspero e duro como pedra. Talvez a incapacidade de lidar com a adversidade, com o desespero de não ter o que oferecer ao seu filho que chora de fome e frio por noites a fio. Quem pode decifrar o coração humano em momentos em que somente ele sabe o que passa?

Quero dedicar minha homenagem a toda mãe que luta para sustentar o filho sozinha, sem o apoio dos pais, ou sem marido; a toda mãe que hoje não receberá flores ou presente, porque o único que poderia lhe dar ainda é pequeno; a toda mãe que cria o filho com o marido, mas ele foi insensível a ponto de não lhe expressar gratidão pelo cuidado com o fruto do amor entre eles; a toda mãe que não recebeu o amor do filho adulto, pelo dom da vida que ela lhe deu; a toda mãe que se sente só, abandonada e rejeitada. A você, meu amor, minha empatia e minha reverência.

Apesar de tudo e de todos, você é mãe, doadora da vida e merece todo meu respeito.

Parabéns!

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