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Carolina – Doce Força

Carolina-
Doce Força
Silvia Geruza F. Rodrigues

Essa doce força veio de surpresa. Antes de casar, eu já tinha a notícia de que não poderia ter filhos. Acostumei-me com a ideia, embora muitas vezes me ocorresse na cabeça, nas horas de amor com meu marido, que gostaria de ter o fruto deste amor tão intenso e precioso. Com 8 meses de casada desmaiei no trabalho. Antes já sentira fortes “dores no estômago”, até pensando o pior: câncer de estômago. Mas, a vida continuava. A partir deste desmaio, exames foram feitos. Em um deles: positivo- você está grávida. Pensávamos que podia ser anemia, vermes, tudo, menos um bebê. O médico, apavorado, pediu outro exame para garantir que não houvera engano: não, meus amigos, era um bebê. Só soube do sexo quando nasceu. Tive dois começos de abortos por falta de hormônios que sustentassem o bebê. No dia anterior ao seu nascimento, estávamos em uma serra, fazendo caminhada, nadando e nos divertindo. Dia seguinte, ao me preparar para ir trabalhar, perguntei à minha mãe como era dor de parto. Ela replicou: começa um ardor pela espinha, depois aumenta de minutos em minutos.

Na nossa inexperiência, meu marido saiu para trabalhar, levando o carro e dizendo para ligar quando soubesse se era realmente dor de parto. Liguei para o médico que me falou: corra para o hospital. Chamei o meu marido que veio correndo. No hospital, o médico não conseguiu ouvir o coração da criança. Entrara em sofrimento fetal. Cesariana urgente pois só tinha 2 cms de dilatação. Quando o bebê saiu, ouvi o médico dizer: prepara a incubadora. Antes, ouvia minha irmã Suerda falando: não pode ser, logo com a Silvia que tem tanta fé…e sentia os dedos do meu marido acariciando meus cabelos. Tudo em um turbilhão de tontura. No meu coração Orei, Senhor tu me deste, então não tires, mas se tirares, louvado seja teu nome. De repente um choro, um grito de alívio de todos na sala de parto. Não precisava de incubadora, embora o líquido aminiótico já estivesse preto, a criança, que tinha duas voltas do cordão umbilical ao redor do seu pescoço, sobrevivera. Graças a Deus e à perícia do Dr. Samuel Boyadjian ( armênio).

O Ricardo correu para o centro. Pensara eu que seria para me trazer rosas ( rs.). Ele entra no quarto do hospital com vários lacinhos de grudar no couro cabeludo da Carol e um disco do Chico Buarque com a música Carolina. Sim, éramos e somos fãs do Chico Buarque, mas o nome Carolina foi em homenagem a uma tia predileta do meu sogro Eródoto.

Nunca vi um nome casar tão bem com sua dona: Carolina significa DOCE FORÇA vem de raízes germânicas Karl = força e Lind= doce.

Minha Niná, Cá do Villy e Carol de todos é doce e forte. Desde pequena tornou-se uma garotinha responsável e gostava de dar lições de moral aos pais: não pode passar o sinal pai, tá vermelho. Mãe, se continuar brigando com meu pai Deus vai ficar muito triste com vocês dois. ( 4 anos e já sabia controlar os pais, usando o nome de Deus.). Foi a professora de matemática da Cynthia e do Pedro por muitos anos. Segundo ela, foi a segunda mãe do Pedro até se casar. Quando com 21 anos decidiu se casar eu pensei: “E agora Niná, quem vai nos acordar toda manhã para ir trabalhar? Vamos todos chegar atrasados agora? ” Confesso que não queria que minha filha casasse tão cedo assim, mas…diante dos insistentes pedidos do Villy Fomin e dela, decidimos aquiescer.

Sapeca, aos 8 meses pulou do berço e veio engatinhando para o nosso quarto. Várias vezes acordei com barulho de panelas nos armários da cozinha para encontrá-la lá dentro, empurrando tudo no chão. Fugia de dentro de casa e subia os degraus para o estacionamento do nosso condomínio…Dengosa, até oito meses também chorava toda madrugada para dormir entre nós dois. Até que um dia, eu trancada em um quarto e ela em outro choramos por 45 minutos até ela se acostumar em três dias a dormir no seu próprio quarto a noite inteira. Esta menina que quase não veio ao mundo, tornou-se uma criança doce, forte, líder, estudiosa, responsável, e hoje é uma linda mãe e esposa.

Ela, de Niná ( A Cynthia não sabia dizer Carolina e abreviou o nome para todos nós), passou a Cá (apelido do Villy para ela). Mas, para todos que convivem com ela será sempre nossa Carol, nossa doce Niná, Cá, Carolina. Às vezes, quando a vejo conversando com seus gestos e expressões, lembro-me de mim, mais do que isso, fico abismada de ver que minha filha cresceu, tornou-se uma mulher madura e tem suas próprias opiniões e vida. Quando a vejo tão responsável, lembro do Ricardo. Quando a vejo decorando, exercendo sua profissão de Arquiteta, lembro da minha sogra Glícia, artista plástica. Às vezes, quando a vejo passar ao largo, o amor que sinto por ela é tão grande que chega a doer. Para ser sincera, às vezes choro de emoção quando vejo a mulher que minha filha se tornou. Quando ela viaja para o exterior a trabalho sozinha, eu penso: ai meu Deus, será que ela conseguirá chegar no hotel? e será que ela vai conseguir isso e aquilo e aquilo outro? esqueço-me que ela cresceu e nem precisa mais da minha proteção. Afinal de contas, ela já é uma mulher!

Mesmo assim, não esqueço de orar por ela e agradecer a Deus pela filha linda que ela se tornou, pelo genro incrível e netos lindos que me deu. Muitas vezes olho para o meu marido, e, silenciosamente digo: Obrigada, nosso amor deu frutos muito bons para o mundo. Sou feliz!

Hoje minha filha completa mais um ano de vida. Minha doce Carolina, que seus dias sejam suaves e amorosos como você! Que continues assim: doce, preocupada com o próximo, com o coração terno, íntegro e responsável! Viva uma vida leve, solta e suave, sempre.
Te amo para sempre sua,
Mommy,

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2 comentários

  • Marlete disse:

    Que linda história de amor e realização, Silvia! Deus continue guardando vocês!

  • solange gonzaga de souza dal mas disse:

    Estou emocionada lindo texto doces palavras !!!Só estou no começo pois minha filha também Carol (pela doçura de uma aluna ) Helena (pela força da mulher ) ainda ontem perguntada pelo meu marido nos seus doze anos de sabedoria disse que não parou para pensar em casar e ter filhos que nem imagina como seria..E eu de cabeça baixa pensei Graças á Deus!!!rsrs Mas sei que tudo é inevitável ,e só me resta como mãe orar a Deus agradecendo pela minha família que começou a partir dela!E que me ensina todos os dias ….

    Adoro seus textos

    Solange

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