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Em Momentos de Crise, O Que Fazer?

 

 

 

 

Recentemente escrevi um livro sobre os vários encontros e desencontros na vida a dois. Em um dos capítulos dissertei sobre os fatores conspiradores de um relacionamento. Porém, esqueci de escrever sobre passos a serem dados no caso do desencontro ser maior do que os encontros ao longo de uma vida a dois. Quem sabe na próxima edição revisitada e ampliada. Mas, enquanto isto não ocorre, arrisco-me aqui a meditar um pouco sobre alguns conceitos que podem lhe ajudar a se restabelecer em situações adversas e crises no seu relacionamento.

Torna-se muito difícil falar sobre o que se deve ou deveria fazer como ditando regras em um manual básico de sobrevivência em um relacionamento, porque primeiramente devemos entender que cada pessoa é única e cada estrutura emocional também. O meu ou o seu exemplo e conselho de como alguém deveria agir diante de uma situação difícil de nada adiantaria para uma terceira pessoa. Jamais um terapeuta de casal poderia dizer aos dois ou a um dos dois para tomar atitude e se separar diante de um embate, de uma traição ou coisa semelhante. Cada ser humano sabe de sua estrutura e se consegue suportar uma perda ou não.

Contudo, diante de uma encruzilhada e uma decisão a ser tomada para que haja uma saúde emocional dentro da relação, precisamos rever alguns preceitos:

Primeiro lugar devemos rever a história passada. Diante de um problema difícil de ser resolvido, indicando até para uma separação entre os dois, seria bom que cada cônjuge revisasse sua história a dois.

Certa vez ao visitar uma querida jovem senhora cujo marido a abandonara sem aviso prévio, notei que ela havia colado no espelho da sala de visita de sua casa todas as fotos em que ela, o marido e os filhos haviam batido em momentos especiais: fotos do noivado, casamento, viagem familiar, viagem a dois, ceias natalinas , Ano Novo…enfim, momentos importantes quando eles haviam sido felizes. Imaginei que aquele gesto era uma tentativa desesperada de não acreditar que tudo aquilo tinha sido jogado fora por uma paixão fugaz, uma noite de sexo fortuita com outra pessoa. Quanta dor observei naquela jovem. A dor da rejeição. A dor do abandono. A dor da surpresa. A dor da traição. Tentei ajudá-la dentro daquela crua realidade, e era que sim, seu marido havia jogado todos os momentos bons de anos de construção, por uma paixão fugaz.

Reveja sua história, seus álbuns, vejam os momentos felizes e alegres e quem sabe eles somam mais do que os tristes  de brigas e discussões, ajudando-os a tomar a decisão de não jogar fora anos de convivência por uma ilusão de um futuro melhor.

Outro elemento importante para lhe ajudar no momento de crise é pesar na balança os defeitos e virtude da pessoa com quem você tem dividido sua vida até agora. Lembre-se que ninguém é perfeito. Passamos nossa vida procurando alguém perfeito, esquecendo-nos que nós mesmos somos imperfeitos. Uma coisa porém é de extrema importância: saiba se você está disposto ou disposta a conviver com aqueles defeitos para o resto da vida? Geralmente pergunto aos casais noivos que me procuram para um aconselhamento antes de casar: você conhece os defeitos do seu parceiro, ou parceira, e está disposto ou disposta a conviver com eles até que a morte os separe? Hoje percebo que esta pergunta a um casal de noivos, apaixonados, doidos para casar é de certa maneira inútil.

Ora, sejamos honestos: geralmente os noivos estão apaixonados, cheios de idealismo, de sonhos, de projetos para o futuro. Afirmam os teóricos sobre o amor romântico, que embora já saibamos que em geral nossa atenção é seletiva, ela torna-se mais seletiva ainda quando estamos apaixonados. Isto é, fazemos questão de só ver e observar aquilo que sabemos que não nos levará a tomar uma atitude de deixar o objeto de nossa paixão. Infelizmente, jovens apaixonados, tenho más notícias para vocês: segundo os teóricos sobre o amor e a paixão, ela só dura mais ou menos por dois anos e meio a três anos(vide meu livro Amor Romântico: isto Existe? Ed. Fonte Editorial). Depois disso, se você não conhecia bem os defeitos do ser amado, você acorda um belo dia e olha para o lado e diz: Meu Deus, o que estou fazendo aqui?”

Sim, pois as mesmas diferenças ( os opostos se atraem, afirma um ditado) que os uniu, pode muito bem lhes separar no futuro, se não houver um verdadeiro amor que está disposto a compreender e aceitar o ser amado do jeito que ele é.

Certa vez uma outra jovem senhora me procurou afirmando que ia abandonar seu marido porque ele era muito mau administrador das finanças da casa. Pedi-lhe que pontuasse mais defeitos do seu marido, porque interiormente achei um motivo muito fraco para se deixar um casamento de 15 anos de duração. Ela não soube me apontar mais nenhum defeito do seu marido. Então, pedi-lhe se ela poderia me falar algumas qualidades dele, ao que ela conseguiu relacionar 15. Um homem que a amava, cuidava dela, bom pai, bom provedor para o seu lar, bom amante, amigo, carinhoso, e por aí foi estrada afora elogiando o homem que ela queria abandonar porque não sabia administrar seu dinheiro. Quando ela terminou eu pontuei: o grande perigo que vejo aqui no seu caso é que você pode deixar seu marido porque é péssimo administrador de suas finanças e encontrar um excelente administrador, mas que não tenha um terço das qualidades que este homem possuía.

A realidade é, que não encontraremos em uma só pessoa todas as qualidades que procuramos para nos satisfazer. O ser humano será sempre carente, querente e desejante ( Vide Freud). Ninguém conseguirá alcançar seu ideal de homem. Nenhuma homem alcançará seu ideal de mulher. Bem que nós mulheres gostaríamos de encontrar um homem com o andar do Richard Gere, os olhos e os cabelos do Brad Pitt, o charme do George Clooney, o corpo do Lobisomem da Bela do filme Crepúsculo, o romantismo do homem do filme Uma Linda Mulher e Vem Dançar comigo, um homem que nos amasse e desejasse tão intensamente como o Mr. Grey do livro 50 Tons de Cinza, ah, seu dinheiro também. Ora, qual homem não desejaria ter uma mulher com os lábios da Angelina Jolie, o sorriso da Julia Roberts, a beleza mignon da Kate Holmes, os olhos grandes e encantadores da Anne Hathaway, as pernas da Catherine Zeta Jones, a voz feminina e doce da Jennifer Aniston, a altura da Nicole Kidman, a graça e leveza da Sandra Bullock,, a voz e a feminilidade encantadora da Vanessa da Mata e que seja tão romântica e apaixonadamente perfeita como a senhorita Anastacia Steele que ama e tenta entender um ser tão complexo como o Mr. Grey. (Mulheres, parem de sonhar, o personagem Mr. Grey foi criado por uma mulher, por isso ele é tão perfeitamente romântico, milionário, cuidadoso e apaixonado).

Voltemos ao planeta terra, nem este homem e nem esta mulher existem. Contudo, se você procurar no interior do homem ou da mulher que você escolheu para percorrer uma longa estrada nesta vida insólita, certamente encontrará qualidades que lhe conquistaram e que provavelmente ainda estarão por aí perdidas durante sua caminhada a dois. Seria bom se vocês dois pudessem tentar novamente olhar um para o outro com generosidade ( que é uma das virtudes de caráter, segundo nosso sábio Aristóteles) afim de encontrar ou reencontrar aquele ser por quem você se apaixonou lá atrás e jurou amor e fidelidade até que a morte os separasse diante de algum sacerdote no altar, ou na praia, ou debaixo de uma cachoeira, ou de um ministro de paz ou até mesmo um voto entre vocês dois dentro de alguma banheira ou debaixo de uma pitangueira, mangueira, laranjeira…

Um dos problemas nos relacionamentos modernos chama-se satisfação momentânea. Prazer a todo custo. O orador romano Cícero que viveu 305 anos antes de Cristo, ao falar sobre amizade, afirmou que um ser humano que coloca sua afeição somente no prazer utilitário jamais conseguirá ser amigo de verdade, pois as utilidades mudam. Hoje posso necessitar de alguém que me dê colo, amanhã posso precisar de alguém que me proporcione uma boa noite de sexo, amanhã posso querer prazer imediato… Amor não existe sem amizade. Amizade verdadeira não existe se for em busca de utilitarismo. As necessidades mudam, mas a amizade deve ser desinteressada, sou seu amigo porque sou, porque nossa alma se gosta, porque tenho afeição pela sua maneira de ser. Te amo porque te amo, porque um dia vi em você algo parecido comigo, algo que me agradava, algo que me ajudava a crescer como ser humano. Ah, o amor, algo tão amplo e tão difícil de ser colocado em palavras. Muitas vezes amamos porque amamos, ponto final.

Para que sua relação dure, ou para você reavaliar seu relacionamento em momentos difíceis, de escolhas difíceis, de encruzilhada, seria de bom siso pensar nas consequências. Já ouvi em algum lugar alguém falar que nossas ações têm desdobramentos eternos, são como pedras atiradas em um lago ou rio que saem fazendo ondas que não sabemos aonde irão parar.

Sei que o coração, as emoções muitas vezes falam mais alto. Mas em encruzilhadas na longa estrada da vida, no momento de tomar decisões, pense em todas as consequências não somente para você, mas para todos ao seu redor: sua família, seus filhos, seu parceiro ou parceira, e em última análise você mesmo.

As renegociações são de extrema importância em um relacionamento. O contrato inicial pode ser refeito, quando ambos querem e se dispõem a continuar. Ao longo de sua vida a dois, você muda, o outro muda, a vida muda, as circunstâncias mudam…Você envelhece, amadurece ( ou não), ele ou ela amadurece, novos caminhos, novas trilhas, novos hábitos podem e devem ser restabelecidos.

O mais importante elemento para vencer a crise é : disposição de parar, reavaliar, investir e saber se quer continuar para reconstruir ou destruir toda essa história de vida e começar outra tudo de novo. Rompa a seu próprio risco, pois o futuro com outra pessoa nem sempre lhe trará surpresas agradáveis, talvez nem tão agradáveis como as que você teve com o parceiro ou a parceira com quem você conviveu até agora.

Cada estrutura é única, o que estou fazendo aqui escrevendo sobre isso? Ah, quem sabe você conseguirá pescar alguma coisa boa de tudo que escrevi para seu atual estágio na vida? de vida? O importante, lembre-se sempre, é amar e ser amado verdadeiramente, com todos os defeitos e virtudes!

 

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