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Formigas e filhos

Formigas e Filhos

Silvia Geruza F. Rodrigues

No meio de uma caminhada em estrada até uma cachoeira, observei muitas formigas tentando levar folhas bem maiores do que elas para dentro de sua casa- o formigueiro. Curiosa, parei para observá-las por alguns minutos. Notei que algumas carregavam algumas sementes em formato de bolas que devem ter caído de alguma árvore, no tamanho bem maiores do que elas. Uma delas fazia muito esforço para equilibrar a bola e ao mesmo tempo subir um pequeno barranco até chegar em casa. A bola caía, ela ia atrás e colocava nas costas. Outras vezes ela e a bola despencavam juntas barranco abaixo. Até que enfim ela conseguiu entrar e guardar sua comida. Muitas formigas saíam  do caminho chamado “normal” de todas as outras e pareciam muito perdidas. Também notei que carregavam nas costas folhas grandes  tentando passar por baixo de alguns gravetos, o que dificultava ainda mais sua tarefa.

Confesso que muitas vezes quis ajudá-las, pegar as folhas junto com elas e colocá-las bem perto da sua moradia, mas meu marido me pedia que as deixassem seguir seu rumo natural. Não satisfeita em ver tanto sacrifício, peguei uns galhos de folhas de uma árvore na beira da estrada, picotei-as em tamanhos que achei que não seriam muito pesadas para elas e saí espalhando os pedaços bem perto do formigueiro, pensando que elas veriam as folhas tão perto de casa, pegariam as mais fáceis e voltariam felizes para seu lar.

Ledo engano: não consegui entender porque muitas passavam pelas folhas e continuavam buscando de longe outras folhas, quando as minhas facilitariam muito seu trabalho. Não estudei o mundo das formigas, nem sua maneira de ser, para escrever este artigo. Porém, cheguei a algumas conclusões: da mesma maneira que fiz com as formigas e muitas delas continuaram com sua lógica, indo aonde queriam para buscar seus alimentos, rejeitando as folhas fresquinhas e pequenas que coloquei perto de seu caminho, geralmente tendemos agir da mesma maneira com os filhos. Na ânsia de facilitar suas vidas, de não vê-los sofrendo, principalmente os pais que tiveram que lutar muito para conquistar alguma coisa, prometem a si mesmo que seus filhos jamais passarão pelo mesmo sofrimento que eles, e com isso, muitas vezes os estragam. Eles crescem sem garra, sem vontade de lutar na vida e sem os mesmos ideais dos pais.

Não adiantou meu esforço de facilitar a tarefa das formigas. Elas seguiram sua própria lógica. Assim como os pais não devem tentar ajudar seus filhos a cortar atalhos na vida. Existem experiências que eles precisam viver para aprender a serem fortes, resilientes, a enfrentar as adversidades da vida com galhardia, coragem, ânimo e persistência. Eles necessitam aprender seus próprios caminhos. Podemos sim, ensiná-los valores que levarão consigo para onde forem e em qualquer tarefa que realizarem, mas nem que queiramos, não conseguiremos evitar que sofram e que tenham, inexoravelmente que lutar com suas próprias forças, sempre que dificuldades se lhes apresentarem ao longo da vida.

Devemos nos lembrar, como pais, que não viveremos para sempre, e a melhor herança que podemos deixar para nossos filhos é ensiná-los a lutar com suas próprias forças, a enfrentar a vida com audácia, criatividade, e acima de tudo integridade.

Na minha próxima caminhada, simplesmente contemplarei a beleza do trabalho em conjunto, incessante das formigas. Não tentarei alterar o curso de sua lógica, para não atrapalhá-las. Assim como com os filhos: atentemos para na ânsia de aliviar suas dores, não os atrapalhemos a ponto de eles nunca aprenderem a serem autônomos e autoconfiantes.

 

 

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