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Mulher: Livre da Tirania

Todo ano celebra-se o Dia Internacional da Mulher. Antigamente eu era contra esse dia porque considerava uma declaração de inferioridade. Se o homem não tem seu dia, por quê deveríamos ter o nosso. Contudo, pensando bem, ele refere-se a algumas mulheres que foram queimadas em uma fábrica por protestarem contra a desigualdade. Aproveitemos então este dia para gritarmos bem alto algumas injustiças e crueldades das quais as mulheres em todo o mundo sofrem.

Segundos dados da UNICEF nas capitais brasileiras, 44% dos homicídios de mulheres são cometidos com arma de fogo. 2/3 dos casos de violência contra a mulher têm como autor o próprio marido ou companheiro. Aliás, 70% das mulheres assassinadas sofrem tal ato de seus próprios maridos. O Brasil lidera o ranking mundial da violência contra a mulher. De acordo com uma pesquisa feita pela Sociedade de Vitimologia Internacional, 25% é o número das mulheres brasileiras que sofrem violência.

Contudo, quando falamos de violência contra a mulher, nossa mente traz à memória a física. Sim, este tipo de violência é assustadora e pode até matar. Como terapeuta, gostaria de trazer à tona a violência verbal, emocional, a da negligência. Da mesma maneira que as crianças podem ser abusadas física, emocionalmente e por negligência, a mulher sofre os mesmos tipos.

Quando um marido ou parceiro doente domina a relação, com abusos psicológicos, físicos e até mesmo sexuais, ele pode adoecer também a mulher que se torna seu co-dependente. Submissa e amedrontada ela leva adiante esta relação para poder sobreviver.

Algumas mulheres, inúmeras, eu diria, convivem com um relacionamento doentio ou porque não têm como se sustentar financeiramente, ou por pura fragilidade emocional. Carente, ela prefere seguir o errôneo adágio: antes mal-acompanhada do que só. Estima-se que no Brasil, uma entre quatro mulheres é vítima de violência doméstica. Nos Estados Unidos,20% das mulheres sofrem agressões dos parceiros em sua vida, entre três e quatro milhões de mulheres são agredidas em suas casas por pessoas de sua convivência íntima. Sem contar a agressão verbal, que muitas vezes doem mais do que mil chicotadas nas costas.

Na Índia, cinco mulheres são assassinadas diariamente por causa de disputas de dote. Na África, cerca de seis mil meninas ainda sofrem de mutilação genital a cada dia. Mulheres que adulteram ainda são apedrejadas até a morte em alguns países africanos. O preconceito contra a mulher violentamente a maltrata. A Lei mostra-se bem mais dura contra as mulheres do que com os homens em muitas ocasiões. Dentro da igreja evangélica a mulher é ensinada a ser “submissa” ao marido, como mandamento de Deus. Quem ousaria ir contra a Palavra do Senhor? argumentam muitos religiosos.

Se analisarmos a situação da violência doméstica com coragem e racionalidade priorizando a segurança e o bem estar da família debaixo de agressão, verificaremos que os versos utilizados não são aval para a opressão feminina. Entenderemos que Deus não deseja, nem nunca pretendeu que mulheres e crianças vivam condenadas a humilhações. A vontade de Deus para o ser humano é boa, perfeita e agradável. Quando um homem fere o princípio do auto-controle, não se pode exigir desta mulher que continue sendo abusada sob o pretexto de que seja a vontade de Deus. Nada mais se deve exigir desta mulher.

Mulher, você está livre para fazer boletim de ocorrência. Livre para sair e tentar encontrar uma nova vida reestruturando sua dignidade humana, sabedora que ser mulher não representa ser inferior, mais frágil, que deve estar sob o controle do homem, necessitando “ser disciplinada para aprender a fazer as coisas direito!”

Mil vezes não! Mulher nenhuma precisa se submeter a afrontas emocionais, sexuais ou físicas. Você tem um valor inerente. Você é feita da mesma essência de Deus, tanto quanto o homem. Você pode dizer não ao abuso. Procure alguém, fale, busque ajuda, mas não permita que sua dignidade, nobreza e auto-estima se percam nesse processo.

Você pode e deve reconstruir sua vida!

Silvia Geruza Rodrigues

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