Encontro íntimo

Bem vindo!

Este é um espaço para falarmos sobre assuntos que raramente são tratados em público e que considero necessários para uma vida saudável e alegre. Espero que você seja edificado e também se divirta!
Obrigada por sua visita!

Home . Artigos . Família . O Amor que dura para sempre

Artigos

O Amor que dura para sempre

casal maduroIncomoda-me o uso da palavra AMOR indistintamente. Em dois dias um casal já consegue dizer a frase: ‘Te amo”, sem tremer os lábios ou mesmo sem medir as consequências dessa frase. Nas redes virtuais, pessoas teclam uma ou duas vezes e um mais ousado já afirma:” Amo você,” ou até mesmo: “Estou gostando muito do seu jeito”.  Um momento, por favor, do jeito de quem mesmo? Sim, porque pelas redes virtuais, através de uma tela fria de computador, qualquer pessoa ( até mesmo uma mulher se fazendo passar por um homem, ou vice-versa) pode se mostrar de qualquer maneira. Gentil com os outros, mas em casa, uma fera grosseira. Romântico nas redes virtuais, mas seco e frio pessoalmente com a namorada, noiva ou esposa. Delicada, de voz mansa ( escrevendo), mas irritante e rude com as pessoas ao seu redor.

Antigamente se afirmava: o papel aguenta tudo. Hoje devemos mudar o ditado para: a tela do pc aguenta tudo. Mentiras, fingimentos, enganos, perfis fakes (falsos), falsa sensualidade, falso amor, falsa amizade,. Tudo isso pode acabar numa simples tecla: DELETE.

Mas, leva tempo e muito mais que dois dias para desenvolver o amor benevolência no seu coração e principalmente para que ele parta do seu para o de outras pessoas. Ainda creio na benevolência, como cita o rabino Jonathan Sacks: benevolência é amor leal, e lealdade que é amor. Um define o outro. Precisamos encontrar o amor que é fidelidade, aquele que está sempre presente para o outro, nas horas alegres, nas difíceis, como alguns ainda se prometem  em votos matrimoniais: “Estarei contigo na riqueza ou na pobreza, na alegria ou na dor, na saúde ou na doença, até que a morte nos separe…(e gosto da adição que os protestantes colocaram) assim me ajude Deus.”  Ainda creio no amor que se fortalece com o passar dos anos.

Para que o amor dure até que a morte os separe, alguns ingredientes são necessários: Pequenos gestos diários, como tentar entender o silêncio do outro, não como frieza, mas como um momento de solitude necessário para discernir alguns sentimentos internos. Carinho nos pequenos detalhes( um café da manhã especial, uma violeta inesperada, uma mesa posta ao chegar de um dia exaustivo de trabalho, uma toalha limpinha pendurada no banheiro para seu banho, um livro predileto de presente, uma mão no cabelo ao dormir), compreensão (entender quando ele lhe traz preocupações do trabalho, em vez de se irritar), apoio nas tristezas, e principalmente confiança. Gosto muito da metáfora que Jonathan Sacks usa para o amor benevolente: “É a poesia da vida diária escrita na linguagem dos gestos simples.”(2005,p.65)

Quando bem mais nova, gostava de dar palestras sobre romantismo no relacionamento, e não tolerava a ideia ( ainda não suporto nos dias atais) de que os anos de casados transformariam uma parceria dinâmica, alegre e ativa em algo monótono, rotineiro e sem vida. Passa a ideia de um casal se arrastando pelos anos só cumprindo o papel que a sociedade lhes exige: permanecer casados até que a morte os separe.

Passados muitos anos, hoje consigo vislumbrar um relacionamento que enriquece a cada ano com um cotidiano que não necessariamente precisa ser enfadonho. Mas, uma vida a dois pode fortalecer-se diariamente com um amor que não respire somente sexo ( embora este seja de essencial importância), mas  que se difunde entre os dois e transcende para o mundo ao seu redor, de perto e de longe. Quem conhece este tipo de amor benevolente enxerga o mundo diferentemente daquele que o nega.

Não tolero os livros de auto-ajuda com títulos como: Casal inteligente enriquece juntos, mais ou menos assim dizem os títulos. Pais inteligentes, filhos ricos, etc. Ensinando fórmulas de como enriquecer materialmente. Será que é disso mesmo que o mundo precisa? Ou não estaríamos embarcando na filosofia de vida da sociedade capitalista do consumismo selvagem? Permita-me ilustrar um pouco com algo pessoal: Certa vez, quando namorava meu chefe ( solteiro, claro) e ele me deu o fora, no outro dia recebi uma promoçã. Meu coração estava em frangalhos, e lembro, que loucamente saí da sala dele cantando: “dinheiro, pra que dinheiro, se ele não me dá bola…” Na hora da dor da rejeição, ninguém pensa no dinheiro, e sim no amor que perdeu.

“Doar de si mesmo? Você está brincando comigo? Menina, eu não tenho tempo para isso, estou ocupado demais ganhando a vida.” Dirão alguns ao lerem este artigo. Sim, estou falando de doação. Doação do seu tempo para seu marido, esposa, filhos, pai, mãe, família, amigos, para você mesmo. E isto custa pouco, ou muito: porque o amor benevolente pede do seu tempo, da sua atenção, da sua generosidade existencial e da sua vontade a si mesmo, ao seu parceiro ou sua parceira, à sua família e ao seu próximo.

Para que isso ocorra, precisamos reconhecer Deus em nossas atitudes, dentro de nós e no nosso próximo. Reconhecer a dignidade do próximo é sempre o primeiro passo para desenvolvermos o que há de melhor dentro de nós.

Tente, o mundo permanecerá o mesmo, mas a maneira como você o verá e experimentará, será totalmente diferente.

* Definição extraída do livro Para Curar um mundo fraturado: A ética da Responsabilidade de Jonathan Sacks, Ed. e Livraria Sefer. 2005, p. 65.

Silvia Geruza F.Rodrigues

Compartilhe

1 comentário

Deixe seu comentário