Encontro íntimo

Bem vindo!

Este é um espaço para falarmos sobre assuntos que raramente são tratados em público e que considero necessários para uma vida saudável e alegre. Espero que você seja edificado e também se divirta!
Obrigada por sua visita!

Home . Artigos . Família . Para onde caminham os relacionamentos?

Artigos

Para onde caminham os relacionamentos?

De 1984 a 2012 a taxa de divórcio bateu o recorde: quase 46 % ao ano. De 2012 para 2013, segundo o IBGE a taxa de divórcio diminuiu um pouco, mas os solteiros também demoram mais a casar. O casamento ainda está em voga. Triplicou o número de casamentos no ano de 2013, batendo o divórcio e a separação. Diante dessas estatísticas nos perguntamos:

O que ainda leva as pessoas a se casarem nos dias atuais? E o que leva os casamentos a durarem tão menos do que há uma década? Perguntas difíceis de responder, mas que necessitam ser feitas para entender para onde caminham os relacionamentos.

Alguns motivos para casar diferem entre homens e mulheres. Se antigamente os homens buscavam constituir família e as mulheres o amor ideal, hoje ambos deixaram o afeto e a segurança de um relacionamento duradouro pelo desejo de “ser feliz.”

A agenda atual é seguir seus desejos, seus sonhos, tentar realizar seus caprichos. Quando se fala em Moralidade, o ateu Richard Dawkins afirma que todos nós temos um “selfish gens”. Isto é, nascemos com um genes egoísta. Outros afirmam que nascemos inerentemente bons e maus. A criação e os valores passados na infância influenciarão nossa maneira de agir com bondade ou crueldade. Em parte, concordo com os dois lados. Contudo, creio que a sociedade atual através da mídia e seus mitos passa valores a respeito de relacionamentos que impelem o ser humano a buscar o seu melhor, não o do outro.

O sociólogo Zygmunt Bauman afirma que o ser humano trocou a segurança pelo prazer, isto é, compromisso sério, duradouro pode não ser prazeroso depois de algum tempo, então o melhor é arriscar entrar em outro relacionamento, buscando o ideal do amor romântico, frustrado em seu primeiro casamento.

O amor continua sendo a busca de muitos casais ao entrar em um relacionamento sério. Expectativas, projeções sobre o outro traz inúmeras frustrações. Ninguém consegue suprir as expectativas de outro completamente. Quando se tem o que se deseja, outras necessidades emergem. O ser humano encontra-se em constante querência e desejo, correndo atrás da emoção do novo, da aventura. Segundo Aratangy (p.54) o ideal do amor transforma-se em um fardo pesado demais, e a porta de entrada para muitas frustrações. O casamento não mais satisfaz.

Casa-se, muitas vezes, jovem, com sonhos, idealizações, apaixonados. Quem imaginaria, ao se casar com enfeites mil, música refletindo o amor e a personalidade do casal no ar (love is in the air), festas, promessas, bênçãos do sacerdote, que o primeiro filho já mudaria o romantismo. As noites mal dormidas, fraldas para trocar. O cansaço da mulher, o desinteresse temporário do homem. A quebra da liberdade do casal de ir e vir, ciúmes, insegurança, cobranças, pouco ou muito dinheiro. (Sim, há pessoas que maldizem o dia em que muito dinheiro começou a entrar na sua casa.). Horas intermináveis de trabalho para dar conta do consumismo desenfreado do capitalismo selvagem. O sexo, antes tão fugidio e prazeroso, agora se torna enfadonho e obrigatório.

Quem diria, quando a noiva entrou toda enfeitada faceira em direção ao altar, diante do olhar deslumbrado e feliz do noivo, que discordariam da maneira de tratar seu filho ou sua filha adolescente? De lidar com o dinheiro? De lidar com a vida religiosa? De lidar com os parentes que vêm no pacote?

Em uma sociedade onde não se valoriza a individualidade e sim o individualismo, as pessoas não se interessam tanto em investir no relacionamento amoroso. Cada um tem uma “alta expectativa de gratificação e baixa tolerância à frustração”(Aratangy, p.56*).

Gosto muito da frase Carpe Diem, curta o momento. Porém, estremeço ao imaginar que ela pode trazer em seu bojo irresponsabilidade. Não importa a quem firo, o que importa é ser feliz agora, viver o momento que se apresentou, a circunstância, a oportunidade.

Questiono então o conceito de felicidade. Isto já daria outro artigo. Não me aterei a ele neste momento, somente faço a distinção entre felicidade e prazer. Aquele que vive somente para satisfazer seus caprichos (declara o apóstolo Paulo) será escravo para sempre dos seus desejos. A busca desenfreada por prazer, uma vez satisfeito, correrá atrás de mais, e mais e mais….e a corrida nunca para.

Cansados, no fim da vida, olharemos para trás e diremos: eu era feliz e não sabia!

* Citações são do livro O anel que tu me deste. O Casamento no divã- Lidia Rosenberg Aratangy- São Paulo: Artemeios, 2007)

 

Silvia Geruza F. Rodrigues

Compartilhe

Deixe seu comentário