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O que a sociedade reserva às mulheres?

 

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O que a sociedade reserva às mulheres?

Silvia Geruza F. Rodrigues

Desde a década de 70, com a luta do feminismo para colocar a mulher em posição de igualdade com o homem, muita coisa mudou, principalmente na cultura ocidental. Em muitos países orientais e africanos a mulher ainda não passa de um objeto de troca: ela não casa, é dada em casamento.

Até meados do século XVIII ainda era assim no ocidente: o homem que tivesse mais dinheiro, ou não, que pelo menos o pai da noiva tivesse dinheiro para um bom dote, famílias uniam-se para sobreviver melhor financeiramente. Em muitos locais, a noiva via o noivo somente na noite das núpcias, o véu sobre o rosto da noiva, era levantado somente no altar. Sinal de pureza, pudor. Todo esse decoro não impedia o marido de bater na esposa, traí-la e trará-la como um mero objeto dentro de casa para procriar,  cuidar dos seus filhos e da casa.

Vendo o seriado Mad Men, história de uma agência de publicidade na década de 60 que vende o sonho americano, conseguimos observar a luta entre homens e mulheres pelo poder, mas principalmente o tratamento dos homens com suas esposas. Mulher é para ficar em casa cuidando dos filhos, o amor é para a família, o prazer para as amantes.

Assédio sexual corria solto, e as secretárias, se quisessem manter seus empregos, que aceitassem fazer sexo com os colegas de trabalho. Muitas esperavam encontrar maridos no ambiente de trabalho. Mulher para casar era a virgem, a bem comportada. Aquela que aceitasse ter relações com um homem, mesmo que fosse casado, era a safadinha, a boa de se divertir. Mulher fácil, mulher de rua.

Sinceramente, alguns conceitos mudaram, “ma non tropo”. Afinal de contas, hoje já se pode processar um colega ou chefe por assédio sexual. Sim, a mulher já pode trabalhar fora, ter seu salário, seu emprego. Porém, o seu valor profissional ainda se encontra bem aquém do que deveria. Ela ainda ganha 30% menos do que o homem, no mesmo cargo. Ainda se espera que seja a mãe ( a mulher) que fique em casa quando um dos filhos adoece. O marido sai para trabalhar, ela liga para o chefe ou a chefe e explica o porquê da sua ausência. Leva as crianças para o médico, para vacinar ( claro que há suas exceções).

A ideia de que a mulher é para constituir família com os filhos  e  de que é natural ter um affair, um caso com outra mulher, permanece bem viva no ideário masculino. Para o homem, é natural amar uma e gozar com outra. Qual o problema? “O que os olhos não vêem o coração não sente.” Pensam muitos. Nenhum problema, até que a mulher decida contar para sua esposa e aja como a personagem da “atração fatal”: persiga você e sua família até destruí-la.

O que muitos homens não entendem, é que a amante nunca quer ser somente a amante: ela quer ser a esposa. E aí, estraga tudo. Porque em vez de camarão, ela se tornará arroz com feijão, exigindo responsabilidades, caindo na rotina, acordando com mal hálito ( como todo ser humano normal), andar desarrumada dentro de casa, e cumprindo todo ritual do cotidiano. Não mais flores, não mais cinema, não mais fotos ( música de Maria Gadu). Te amo agora só como esposa, disse ele na música da Gadu.

O pior disso tudo é quando a mulher não se auto-valoriza, não tem amor próprio. Quando a famosa frase “melhor só do que mal acompanhada” inverte-se para : “melhor mal acompanhada do que só.” Arrasta-se atrás de um homem que claramente não a quer mais. Para ele, quanto mais você o procura e se humilha, menos desejável. Não se deseja aquilo que já se tem, infelizmente, porque o bom mesmo seria viver uma longa e feliz relação com quem casamos. O ser humano é  desejante, querente e carente, sempre.

Enquanto a mulher não bater o pé e enxergar o seu valor, a sociedade pisará nela. A mídia continuará vendendo pneu de carro, motocicleta, cavalo, trator com uma mulher nua em cima deles; os homens continuarão achando normal ter um relacionamento extra-conjugal e voltar para dar um beijo de boa noite nos filhos e na esposa, como se nada tivesse acontecido e você continuará infeliz, maltratada, subjugada, desvalidada, até que a morte os separe.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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