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Os Miseráveis- Uma história de ódio e perdão

Os Miseráveis- Uma história de ódio e perdão

Silvia Geruza F. Rodrigues

Vi o musical Os Miseráveis há algum tempo. Bombástico. Mas, nenhuma época seria tão oportuna como esta para rever o filme. Depois decidi ler o livro. Victor Hugo descreve os mais profundos sentimentos da alma de cada personagem em dois volumes, em mais de 1200 páginas. Ler o livro sem escrever anotações e deixar mergulhar muitos valores em seu coração, torna-se quase impossível. Por isto não é um livro para ler só para diversão, e sim para um aprendizado de vida. Nas primeiras 80 páginas ele descreve o bispo que tocará o coração do personagem principal Jean Valjean. Preso por 19 anos trabalhando nas galés por ter roubado um pedaço de pão para a irmã que morria de fome. Claro, que um ex- presidiário encontra dificuldades de achar alguém que lhe abrigue. Um bispo católico, conhecido por sua bondade e amor ( como deveriam ser todos os sacerdotes religiosos) o acolhe. De madrugada, ele foge e rouba os talheres de prata da casa do bispo. Apanhado por soldados e levado de volta à casa do bispo, ele não somente o perdoa, como o livra de voltar às galés. O sacerdote afirma que lhe havia dado a prataria, mas que ele esquecera de levar os candelabros. Este gesto de generosidade e perdão modificou a vida de Jean Valjean, que passou a ter uma vida honesta, fazendo o bem a todos.

Se fosse possível resumir tamanha obra, diria que Os Miseráveis mostra como o ódio pode ser vencido com a bondade e os desdobramentos do perdão na vida de uma pessoa. Jean Valjean decide rasgar o documento da condicional que deveria apresentar mensalmente na esperança de eliminar o seu passado. Porém, Javert, o chefe de polícia, determinado a perseguí-lo faz com que ele fuja constantemente do seu passado.

Em Fantine – pobre mulher abandonada  por seu namorado ao engravidar, simboliza a desgraça de cada mulher enganada e que inocentemente se entrega nos braços de um homem por amor.

Jean Valjean muda de nomes, mas sua vida não é fácil – sempre fugindo, sempre perseguido. Apesar de  tornar-se um homem bom, a justiça o persegue. Justiça?  A história também pode representar a tensão entre a letra da Lei e o Espírito da Lei. Será que conseguiríamos viver somente seguindo a letra da Lei? Ou podemos nos dar o direito de perdoar, de deixar com que o amor vença? O amor deve vencer sempre, precedido do perdão.

Jovens lutam por uma França melhor. São derrocados na barricada. Quase todos morrem, mas a indignação contra a injustiça permanece. Marius, jovem revolucionário, casa com Cosette, protegida de Jean Valjean, que exclama uma frase que deveria soar em todos os pais: “Ela nunca foi minha, foi para isso que a criei”. Sim, criamos os filhos para serem autônomos, independentes e seguir seu próprio caminho. Imbuídos dos valores que lhes ensinamos, quem sabe conseguirão viver uma vida melhor que a nossa.

Jean Valjean, ou Sr. Madeleine, em certo momento se pergunta: Quem sou eu? ( Depois de adotar tantos nomes para fugir da justiça e do seu passado, havia se perdido, porém Marius, reafirma que ele é Jean Valjean- de quem não tem do que se envergonhar!).

Em muitos momentos de nossas vidas, nos perdemos de nós mesmos, e precisamos nos questionar: Quem sou eu? sou somente o papel que exerço em público, ou o do privado? Tenho como combinar os dois e mesmo assim me achar íntegro?

O livro Os Miseráveis de Victor Hugo e o filme Os Miseráveis de Tom Hooper são imperdíveis,  se você quer vivenciar as emoções de uma revolução e a perfeita combinação de amor, bondade e perdão.

 

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