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Relacionamentos líquidos

Zygmunt Bauman, sociólogo, escreveu um livro interessante intitulado: Amor Líquido, onde ele analisa a fluidez, a superficialidade e a rapidez com que se diluem os relacionamentos nessa sociedade pós moderna. O ser humano, na ansiedade de buscar a satisfação individual a qualquer custo guarda em si sentimentos ambíguos entre o prazer de se relacionar e o custo penoso de ter que se comprometer.

O ser humano ao mesmo tempo em que necessita de uma ligação íntima foge de uma relação mais longa que possa lhe custar a “liberdade” e a leveza de ser. Existe também a possibilidade de alguém ser magoado uma vez e se encolher com medo de sofrer. Tornar-se vulnerável novamente passa a não ser uma opção desejável.

Com o crescimento dos relacionamentos virtuais, as relações tendem a ser cada vez mais frágeis. Existem duas teclas maravilhosas para dissolver mais rapidamente as relações: Delete e block (deletar e bloquear). Costumo afirmar: a tela aguenta tudo, em vez do antigo ditado: o papel aguenta tudo. Na tela podemos ser ou nós mesmos, ou criar perfis falsos tentando enganar até mesmo a nós. Seduzem-se pessoas a todo o momento, fingindo que são importantes, mas no momento em que não aparentam mais interessantes, simplesmente se apagam dos contatos ou os bloqueiam no caso de somente mais tarde um dia querer entrar em contato novamente. E assim, segue-se adiante brincando com os sentimentos do outro, satisfazendo-se em seduzir e ser seduzido. Uma saída aqui, uma transa acolá, porém sem laços a longo prazo.
Afinal de contas, hoje se fazem pipocas em três minutos; os restaurantes de fast food lhes trazem os alimentos em cinco minutos, no máximo 20, e se isto não acontecer você será agraciado com a comida inteiramente grátis, tal a nossa eficácia. Passa-se a querer tudo tão rápido e emerge o desejo de uma vida “light”, daí a paixão literária pelo livro de Milan Kundera, A insustentável leveza de ser. Muita gente não entende nada do livro, mas ama dizer que o leu. Deseja-se uma vida sem compromissos, e que exijam o mínimo de renúncia, sacrifício ou ter que ajudar o outro a superar as suas próprias necessidades. Afinal de contas, temos o refrigerante “light”, a geléia “light”, o prato “light”, somos uma geração do “light”, por que não então um relacionamento “light”, um prazer “light”?

O ser humano é tratado como objeto consumível na prateleira do supermercado virtual: facebook, twitter, sites de relacionamentos. Postamos o que pretendemos que o outro veja e criam-se perfis estranhados de si mesmo.

Perdura a pergunta: Até quando o “light”, o delete e o block satisfarão o homo Eros?
O sentido de vida poderá ser encontrado em toda essa superficialidade dos relacionamentos virtuais e líquidos?

Até quando continuará o homem pós-moderno enganando a si mesmo que o caminho da felicidade é a estrada mais trilhada? Robert Frost, poeta americano no seu poema The Road Not Taken, (A estrada menos trilhada) escreve sua célebre frase: Escolhi a estrada menos viajada, e fez toda diferença em minha vida.
“Em algum lugar, há uma distância de tempo imensa:
divergiam em um bosque duas estradas
e eu escolhi a menos viajada
e esta escolha fez toda a diferença”
Creio ser necessário andar na contracultura. Faz toda diferença escolher a trilha mais virgem, a disponibilidade de amar solidamente, enfrentando o desafio de mudar, se necessário, para satisfazer também o outro, não somente a si mesmo.
Amar, também é acolher o outro com seus defeitos e problemas, ajuda-lo na caminhada a se aperfeiçoar.
Amar é roçar ombro a ombro, talhando o diamante bruto escondido em cada ser humano.
Amar, também significa renunciar ao prazer momentâneo por sentimentos mais profundos de cumplicidade, companheirismo, parceria, e por que não de erotismo e desejo?
Amar é buscar valores mais nobres cravados em cada ser humano, para que sejam dignificados.
Amar é não coisificar uma pessoa. Indivíduos não são seres descartáveis como um copo plástico ou papel. Pessoas não são comestíveis preparadas em fornos de micro-ondas. Elas tem um coração, sentimentos, emoções da mesma maneira que você.
Amar é ter empatia. Colocar-se no lugar do outro, conhecer e acolher o outro requer tempo, renunciar aos seus próprios desejos, aos apelos midiáticos. Muitas vezes, tornar-se-á necessário deixar para trás costumes e vícios que não lhe trazem benefícios de longa duração.
Amar verdadeiramente é doar-se, entregar-se e receber numa harmonia de sentimentos que enleva e engrandece a alma.

Reflita sobre isso!

 

Silvia Geruza F.Rodrigues

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