Encontro íntimo

Bem vindo!

Este é um espaço para falarmos sobre assuntos que raramente são tratados em público e que considero necessários para uma vida saudável e alegre. Espero que você seja edificado e também se divirta!
Obrigada por sua visita!

Home . Artigos . Saúde . PESSOAS EXTRAORDINÁRIAS E SAÚDE MENTAL

Artigos

PESSOAS EXTRAORDINÁRIAS E SAÚDE MENTAL

Ao escrever um artigo sobre pessoas extraordinárias, como dar um salto para o extraordinário e deixar o lugar comum, fui abordada por uma pessoa após ler meu artigo que me questionou sobre alguns nomes que eu havia citado como extraordinários. Ela trouxe alguns dados “ruins” sobre essas pessoas que eu desconhecia. Fiquei desconcertada no primeiro momento, até cheguei a tirar aqueles dois nomes do meu artigo. Mas, tempos depois deparei-me com um artigo de Rubem Alves ( SAÚDE MENTAL p.25) no seu livro Pimentas (2012, editora Planeta) em que ele tece sobre o que é ser normal de acordo com as regras do mundo. Não necessariamente se correlaciona com o que eu falei, mas traz à tona alguns nomes de pessoas extraordinárias que impactaram o mundo, mas não seriam consideradas normais de acordo com as normas da sociedade.

Van Gogh, por exemplo, grande pintor holandês, suicidou-se. Tinha enormes crises de depressão. Nietzsche, filósofo conhecido mundialmente, enlouqueceu. Ele foi para hospital psiquiátrico pelo menos cinco vezes, mas até hoje ele é citado, estudado, com alguns conceitos lúcidos e impactantes. Cecilia Meireles, grande poetisa brasileira, que sofria de uma leve depressão. Fernando Pessoa, poeta e escritor português, quem ainda não o leu e não se emocionou com sua escrita? Depressivo, afogava suas mágoas na bebida. O filósofo Wittgenstein que se alegrou ao saber que breve iria morrer, enfim, pessoas cujas vidas pessoais não gostaríamos de seguir ou viver.

Porém, há algo comum em cada um deles. Eram tão geniais, que seu corpo físico e mental não conseguiu aguentar. Em face disso, Rubem Alves nos brinda com uma correlação entre nosso corpo e um computador: o hardware e o software. O hardware é a mecânica do corpo, e o software é formado por símbolos que se incorporam ao corpo do computador. Assim somos nós, a linguagem se constitui nosso software e não se conserta um software a não ser com outros símbolos, isto é, palavras. em suma, o poeta, a poetisa, pessoas que pensam profundamente, que lêem, que ouvem música, que saem do lugar comum, correm o perigo de ser consideradas anormais, doentes, porque não se conformam com o status quo da sociedade. Por outro lado, passarão pela vida sem fazer algo significativo. Diante dessa realidade, daqueles que querem passar pela vida em brancas nuvens, e com muita saúde mental, Rubem Alves dá alguns conselhos, que transcreverei literalmente por me considerar incapaz de reproduzi-los com a mesma beleza:

Opte por um soft modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. E muito cuidado com a música! Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o software pensará sempre coisas iguais. E há os programas obrigatórios de televisão, especialmente no vazio dos domingos. Seguindo essa receita, você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas, como você cultivou a insensibilidade, não perceberá quão banal ela é. E em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram.” (p.27-28)


Reporto-me novamente à pessoa que me abordou e me falou que não queria impactar o mundo, somente as pessoas ao seu redor. Sim, concordo, essas pessoas mencionadas também não queriam impactar o mundo com suas ideias, seus quadros, seus poemas, elas só queriam ser elas mesmas, longe dos moldes, e dar livre vazão a seus pensamentos, mas com isso elas  impactaram, porque escolheram seguir o caminho menos trilhado.

Compartilhe

Deixe seu comentário