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Suicídio, palavra evitada, mas ato pensado por muitos

Quando alguém tira a sua própria vida, muitos se questionam os motivos. Se o instinto natural do ser humano é de auto-preservação, o que levaria alguém a ter a “coragem” de tirar aquilo que a maioria tenta preservar. Os primeiros a se questionarem sobre o ato são os pais. Sentimento de culpa: o que fizemos de errado. Depois os amigos: o que eu poderia ter feito para ajudar “ele”ou “ela”  a viver melhor, a não pensar em se matar… e assim todos envolvidos com a pessoa que se suicidou, as perguntas, os pensamentos de como poderiam ter evitado este ato nefasto percorrem a mente de muitos, perturbando-os, entristecendo-os e desesperados em busca de respostas, que, lhes advirto, muitas vezes não

virão.

No âmbito religioso, a maioria das religiões é contra o suicídio.  No cristianismo, em sua maioria das escolas, o suicídio é considerado um pecado, baseados nos escritos da Idade Média de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Para desencorajar as pessoas a se suicidarem, a igreja católica Romana não permitia que as pessoas fossem enterradas e deixavam seus corpos ao ar livre para serem devorados pelos animais e abutres.

Não se encontra na Bíblia a palavra “suicídio”, mas ela relata algumas pessoas que o desejaram, tais como Moisés, Jó, e Elias, e sobre outras que cometeram atos suicidas, tais como Sansão, Saul e Judas Iscariotes. Não há evidências na Bíblia de que os suicidas irão para o inferno, pois há versos que nos consolam, tais como “Nada pode separar um cristão do amor de Deus ( Rm.8:38-39), e na passagem que afirma que Jesus já levou sobre si todas as nossas dores, maldições  e pecados.

Mas, como sempre tem aquele que “zela” pela “reta doutrina”, você está aí no seu lugar pensando: “hum, isto não me convence.”Aprendi o que aprendi e pronto.

Ok, então digamos o seguinte: qualquer doutrina ou interpretação bíblica, deve passar pelo conselho maior, que é o amor de Deus. Deus é amor. Não cabe a ninguém julgar o ato desesperado de outro. Se ele ou ela teve tempo de se arrepender, pelo amor de Deus, isto é muito infantilizante. A morte pode vir em segundos. Uma coisa sei: Deus é amor, e no seu Amor Infinito, Ele acolherá um filho ou uma filha que em um ato extremo de dor e desespero, movido sabemos lá pelo que, agiu contra seu próprio instinto de preservação.

Emile Durkheim, inclusive, afirma que a religião diminui o número de suicidas. Contudo, mesmo com o cristianismo (em geral) condenando o suicídio, baseado no verso que nos admoesta : “Não matarás.” ( Mt.19:18), e no caso do suicídio a pessoa virou a violência contra si mesma, matando a si mesma, um estudo brasileiro (wikipedia) sobre a frequência da ideação suicida encontrou um número bem elevado: a ideia suicida encontra-se em 26,4% dos católicos, 24% dos evangélicos, 13,3% dos espíritas/outros e apenas em 10% das pessoas que se definiam sem religião.

A intensidade da ideia suicida encontra-se diametralmente oposta ao exercício da fé. Os muito fervorosos somente contavam com 24% de pessoas com ideias suicidas; entre os moderadamente praticantes, 21% e 32,1% dos que praticavam pouco sua religião tinham mais ideias suicidas. Paradoxalmente, a depressão encontrava-se mais entre os religiosos (30%) do que os sem religião ( 20%).

 

MOTIVOS PARA UM SUICÍDIO

O transtorno do humor ( ou humor deprimido, depressão) é a primeira causa mais comum do suicídio.

Em segundo lugar temos o abuso de substâncias, sendo o álcool o mais frequente. Quando a pessoa encontra-se em sofrimento pessoal, falta de esperança, combinado com o uso de substâncias psicoativas, o risco de suicídio aumenta. Estatísticas mostram que mais de 50% dos suicídios estão relacionados com álcool ou drogas. Até 25% dos toxicodependentes e alcoólicos cometem suicídio. Um número elevado em adolescentes que tem a taxa de até 70% dos suicídios. As pessoas com histórico de abuso de drogas tem mais de 50 vezes mais probabilidade de tentar suicídio do que os que nunca usaram. Nos estudos norte-americanos de 33 a 69% dos suicidas apresentavam alcoolemia positiva. Nos Estados Unidos, 16, 5% dos suicídios estão relacionados ao álcool. Na Grã Bretanha, estudos de suicídios no período de 10 anos mostrou que 45% das vítimas apresentavam alcoolemia positiva, mas a percentagem da faixa etária era de 35 a 44 anos. Os alcoólicos aumentam de 5 a 20 vezes mais a propensão de se matar, o mal uso de outras drogas aumenta o risco de 10 a 20 vezes. Na cidade de São Paulo, a percentagem de suicidas alcoolizados mostra 36,2% . O álcool aumenta a agressividade e esta pode se voltar para si mesmo.

 

COMO DETECTAR IDEAÇÃO SUICIDA.

Existem vários comportamentos que nos indicam a possibilidade de ideias suicidas. A vontade de querer desaparecer, ir embora e nunca mais voltar, dormir para sempre, a vida não tem mais sentido. Ou até mesmo falando em tom de brincadeira que gostaria de morrer. Estes indícios devem ser levados a sério. Geralmente, as pessoas que falam em suicídio, acabam por tentar o ato, os que falharam 2 ou 3 vezes, geralmente tentarão novamente. Estar alerta é necessário!

Vejamos alguns comportamentos demonstradores de que a ideia suicida pode estar presente:

* Disturbios do sono ( insônia, hipersonia, parassonia)

* Transtornos alimentares ( falta de apetite ou apetite desordenado).

* Relaxamento com a aparência pessoal.

* Mau humor, irritabilidade, tristeza aparente, falta de vontade de fazer atividades.

* Correr riscos desnecessários: tais como: dirigir em alta velocidade, descuidadamente. ( Sintomas de euforia).

* Desconfiança excessiva, alucinação, delírio, distúrbio na cognição, mente perturbada, incoerência no falar. ( sintomas de esquizofrenia: ouvir vozes, mania de perseguição ( paranoia).

* Falta de apetite sexual.

* Ouvir músicas depressivas, assistir filmes e/ ou ler livros sobre morte regularmente,

* Isolamento social. Afastar-se de amigos e da família.

 

Um ente querido meu se suicidou, e agora? Não vale a pena ninguém se martirizar tentando achar um culpado. As emoções se misturam: para os que ficam resta o misto de raiva, tristeza, culpa, impotência. Ah se eu, ah se eu, ah se eu. Mas, o caso é que não sabíamos, não poderíamos fazer, não temos o controle e nem somos os salvadores da humanidade.

Resta-nos permanecer atentos aos nossos queridos adolescentes e parentes ao nosso redor para que possamos ajudá-los nos seus momentos difíceis e lhes mostrar que apesar dos riscos, das dores, ainda vale a pena viver. A vida é dom de Deus e não há nada, nada que possa nos separar do amor dEle. O choro pode durar uma noite, mas o riso vem pela manhã. A tempestade pode durar um dia, mas a bonança sempre virá.. Calma, o melhor ainda está por vir.

 

Silvia Geruza F. Rodrigues

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3 comentários

  • Ma Meirelles disse:

    É extremamente doloroso. Sentimentos de Impotência e tristeza, vontade de fazer sentir nos meus braços de que há cura, perdão e bonança.
    Dificil pra uma mãe ouvir isso, e manter equilíbrio.

  • Wellington de Carvalho disse:

    Muito bom este artigo, sempre acreditei que um suicida não quer tirar a sua própria vida, mas sim, deseja extirpar os problemas e as angústias que penetraram sua alma.
    Nele, que tem o poder da vida e da morte, seja toda a glória.

  • Everson disse:

    Estranho que de 09 anos p cá tenho me deparado com pessoas com este distúrbio e vontade ,a primeira infelizmente concluiu a intensão porem tive a oportunidade de falar para ela Jesus te ama ; a segunda enquanto acompanhei sua dor pude ajudar com palavras orientações e falando sobre o Amor de Cristo ,espero que esteja bem pois a dor de perder um filho iniciando a adolescência deve ser terrível , e estou passando por um estreito com umª ente queridoª muito próximo falo de Cristo ,falo de egoismo ,falo de família uma hora piora outra melhora e isto esta me desgastando e me enfraquecendo muito , mais eu creio no Deus vivo ,e sei que cometemos erros porem Deus é amor e peço a ele discernimento para lidar com a situação .
    bom o artigo .

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