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Viver e não ter a vergonha de ser feliz


O célebre filósofo Sêneca tem uma frase que adotei como minha filosofia de vida:

“Pequena é a parte da vida que vivemos. Pois todo o restante não é vida, mas tempo.”

Nas férias as horas passam mais lentamente e conseguimos mais tempo para meditar sobre elementos da vida que, de outra maneira, não pensaríamos. A vida, o tempo, as horas, os minutos, a morte. Dedicamos grande parte de nossa vida correndo de um lado para o outro, crescendo, aprendendo, amando, desamando, sorrindo, chorando, e muitas vezes nos preocupando com minúcias que verdadeiramente não levam a nada de importante. Como afirma Sêneca, nós pobres mortais vivemos como se fôssemos imortais. Verdade.

Lembro-me quando completei 35 anos, um belo dia meu marido apareceu com um livro de presente: “O cristão na meia idade”. Indignada questionei o porquê dele ter trazido esse livro para mim. Afinal de contas, eu poderia ter 35 anos, mas minha mente era de 28, ou menos, na época. Hoje, passados muitos anos, continuo com a mentalidade de  28. (Acredite se quiser). Ao que ele replicou: “Ué, não se engane, nós estamos na meia idade”.

Ai, ai, imagino que livro ele me trará quando eu estiver na terceira idade, ou seja, na “melhor idade” como afirmam os enganadores. “Melhor idade”, cá entre nós, é 18, quando temos forças, sonhos, ideais, corremos e não nos cansamos. Os ossos estão fortes, não quebram e não doem por qualquer coisa: depois dos 50 vem as “ites” da vida: epicondilite, bursite, inflamação no menisco, no nervo ciático, neuromas de Morton, enfim…só dói quando rio, afirmo  brincando, quando me perguntam como estou.

Certa noite , ao fazer musculação com minha cunhada em um complexo do YMCA, sentindo os pesos muito pesados, esbocei a minha crise de não ser mais forte como quando era mais jovem. Para ser bem sincera, esbocei minha crise de envelhecer. Minha “boa psicóloga” de imediato lançou um sermão sobre : “Isto é a vida minha amiga”, e  enrubesci diante de minha “imaturidade” em entrar em crise diante do ciclo da vida. No silêncio e no frio das montanhas, aventurei-me a ler um autor de nacionalidade diferente: Mario Benedetti, Uruguaio escreveu dentre outros o livro “A Trégua”.  Em forma de diário, um homem de 50 anos, na véspera de se aposentar se apaixona por uma jovem funcionária sob sua supervisão. Qual não foi minha surpresa em um dos capítulos quando ele também se questiona sobre a vida e o tempo.

Feliz, observei não ser a única. Transcrevo excertos de Mario Beneddetti sobre o tempo, fazendo minhas as suas palavras. E depois disso, prometo a mim mesma e a todos que tentarei melhorar, não entrar em crise pelo ciclo da vida que se vai….Mas, também prometo a mim mesma de VIVER SEM TER VERGONHA DE SER FELIZ, os anos que AINDA  me restam. Boa leitura. Com vocês: MARIO BENEDDETTI EM SEU personagem fictício: DIÁRIO DE DOMINGO, 2 DE JUNHO. pp.79-80.

“O tempo se vai. Às vezes, penso que precisaria viver apressado, tirar o máximo partido destes anos que restam. Hoje em dia, qualquer um pode me dizer, depois de esquadrinhar minhas rugas: ? Mas o senhor ainda é um homem jovem!”Ainda. Quantos anos ame restam de “ainda”?

Penso nisso e me dá pressa, tenho a angustiante sensação de que a vida me foge, como se minhas veias se tivessem aberto e eu não pudesse deter meu sangue. Porque a vida são muitas coisas (trabalho, dinheiro, sorte, amizade, saúde, complicações), mas ninguém vai me  negar que, quando pensamos nessa palavra, Vida, quando dizemos, por exemplo que nos “agarramos à vida”, estamos assimilando-a a outra palavra mais concreta, mais atraente, mais seguramente importante: estamos assimilando-a ao Prazer. (…) Daí a pressa, a trágica pressa destes 50 anos que me pisam os calcanhares. Ainda me restam, assim espero, uns quarenta anos de amizade, de saúde passável, de afãs rotineiros, de expectativa ante a sorte, mas quantos me restam de prazer? Eu já tinha 20 anos e era jovem; tinha 30 anos e era jovem; tinha 40 e era jovem. Agora tenho 50 anos e sou “ainda jovem”. “Ainda” significa: está acabando.(…)

Porque a experiência é boa quando vem de mãos dadas com o vigor; depois, quando o vigor se vai, a gente passa a ser uma decorosa peça de museu, cujo único valor é ser uma recordação do que se foi. A experiência e o vigor coexistem por muito pouco tempo. Eu estou agora neste pouco tempo. mas não é uma sorte invejável.”

Por isto amigos e amigas, reafirmo a frase do meu querido Sêneca:

“Pequena é a parte da vida que vivemos. Pois todo o restante não é vida, mas tempo.”

CARPE DIEM! Viva a Vida! Redima o tempo!

 

Silvia Geruza F. Rodrigues

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1 comentário

  • CRISTIANE SANTOS disse:

    QUERIDA SILVIA GERUZA, ESTOU NO MEU 4° LIVRO E NELE FALO SOBRE A MATURIDADE, QUERO ENCORAJA-LA QUE OS PROXIMOS ANOS DA NOSSA VIDA PODEM SER OS MELHORES, E PRODUTIVOS. AS ESCRITURAS NOS AFIRMA QUE OS QUE ESPERAM NO SENHOR ATÉ NA VELHICE DARÃO FRUTOS, BJUS

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