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Qual sua escravidão?


Existem vários tipos de escravidão. Temos medo da liberdade porque sabemos que somos responsáveis por nossas escolhas. Podemos ser escravos da nossa própria liberdade e por isso  nos angustiamos. Sentimos pena, muitas vezes, pelos escravos trazidos da África em navios, sob condições subumanas e não nos damos conta das nossas próprias algemas.

Os escravos no mundo inteiro não conseguiam tomar atitudes próprias. Se tentavam fugir e não conseguiam, a morte poderia ser seu fim. A abolição da escravatura libertou os negros dos grilhões, porém nossa sociedade continua presa pelo rei Mamon, poder e busca por reconhecimento.
Qual a diferença entre escravos que temem o chicote do supervisor e da mulher que vive infeliz, debaixo do jugo do parceiro, com medo de diminuir seu status financeiro? Qual a diferença entre escravos algemados, amarrados e perseguidos pelo capataz e a prisão por um ou vários cartões de crédito?

Somos presos pelos nossos desejos e pelos do Outro. A sociedade de consumo torna nosso valor cada vez mais supérfluo. Vendemos nossa dimensão subjetiva mais íntima pelo gozo. Segundo Maria Rita Kehl em seu livro sobre depressão e o ser humano O tempo e o cão, afirma: “O sujeito não vende seu tempo de trabalho; vende a si mesmo como objeto de gozo para o Outro.”(p.99)

O ser desejante tenta impressionar para satisfazer o Outro, imaginando suprir sua necessidade. Para agradar, abrimos mão do que somos ou do que realmente queremos. Inutilmente lutamos para agradar, mais do que somos agradados. Carro da moda, roupas e bolsas de grife ( mesmo falsificadas) tornam-se imperativos. Títulos, posições, exposição máxima nas redes sociais para aparentar o que não somos, mas o que necessitamos ser. Assim, a corrida desenfreada pelo reconhecimento e a falta constante, levam à depressão e angústia de não conseguir ser o seu eu ideal. Não se consegue dar ou ser o que o Outro espera, formando um vazio insuportável. Abrir mão dos seus próprios desejos pelo esforço de proporcionar o que o Outro necessita, inutilmente.

Qual sua escravidão? Chicote, cartão de crédito, estabilidade financeira, status quo, necessidade de mostrar somente as luzes e esconder as so
mbras o mais profundamente possível, necessidade de prover gozo ao Outro?

A liberdade pode ser uma prisão angustiante, quando você não sabe o que fazer com ela.

A liberdade pode ser deprimente quando você não consegue viver sem o imperativo de ser feliz e bem sucedido.

Somos escravos quando vivemos sob o jugo da demanda da sociedade sobre nós.

Somos escravos quando não temos a ousadia de sermos nós mesmos. Sem máscaras para tentar agradar ao Outro, ou sem a pretensão de sermos o provedor do gozo do Outro.

Somos livres quando não nos preocupamos com o que a sociedade de consumo exige de nós.

Somos livres quando não pensamos que necessitamos agradar o Outro.

Somos livres quando não nos importamos com as marcas que usaremos para parecer desejável ao Outro.

Somos livres quando não nos dobramos à rigidez das regras pré-estabelecidas de uma sociedade dominada pela imagem e aparência.

Somos livres quando não permitimos que o nosso supereu ( a voz da acusação e do tolhimento) nos domine mais do que a vontade de viver.

Somos livres quando não deixamos com que a tirania da necessidade de ser feliz nos aprisione.

Somos livres quando somos o que somos, não o que o Outro deseja que sejamos.

 

Silvia Geruza F. Rodrigues

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