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Relacionamentos Líquidos – Como solidificá-los?

 

Zygmunt Bauman, sociólogo, escreveu um livro interessante intitulado: Amor Líquido, onde ele analisa a liquidez, a superficialidade e a rapidez com que se diluem os relacionamentos nessa sociedade pós moderna. O ser humano, na ansiedade de buscar a satisfação individual a qualquer custo guarda em si sentimentos ambíguos entre o prazer de se relacionar e o custo penoso de ter que se comprometer.

O ser humano ao mesmo tempo em que necessita de uma ligação íntima foge de uma relação mais longa que possa lhe custar a “liberdade” e a leveza de ser.

O que dizer dos relacionamentos virtuais? Existem duas teclas maravilhosas para que as relações sejam cada vez mais líquidas dissolvidas rapidamente: DELETE E BLOCK (DELETAR E BLOQUEAR). Podemos falar com as pessoas que seduzimos e dizemos que são importantes para nós quando quisermos. Como também quando elas não forem mais interessantes para nós podemos apagá-las de nossos contatos, ou simplesmente as bloqueamos no caso de mais tarde querermos novamente entrar em contato. E assim, seguimos adiante brincando com nossos sentimentos e os dos outros, nos satisfazendo em seduzir, ser seduzido. Uma saída aqui, outra acolá, porém sem laços em longo prazo.
Afinal de contas, pipocas se fazem em três minutos; os restaurantes de fast food lhes trazem os alimentos em cinco minutos, no máximo 20, e se isto não acontecer você será agraciado com a comida inteiramente grátis, tal a nossa eficácia. Queremos tudo tão rápido e passamos a desejar uma vida leve, “light”, sem querer compromissos que exijam de nós o mínimo de renúncia, sacrifício ou ter que ajudar o outro a superar as suas próprias dificuldades.

Afinal de contas, temos o refrigerante “light”, a geleia “light”, o prato “light”, somos uma geração do “light”, por que não então um relacionamento “light”, um prazer “light”? Meu único questionamento nisso tudo é: Até quando o “light”, o “delete” e o “block” satisfarão o homo Eros?

O sentido de vida poderá ser encontrado em toda essa superficialidade dos relacionamentos virtuais e líquidos?

Até quando continuará o homem pós-moderno enganando a si mesmo que o caminho da felicidade é a estrada mais trilhada? Robert Frost, poeta americano no seu poema The Road Not Taken, escreve sua célebre frase: “Em algum lugar, há uma distância de tempo imensa:
divergiam em um bosque duas estradas
e eu escolhi a menos viajada
e esta escolha fez toda a diferença.”

Sim, amigos, faz toda diferença escolher a estrada menos viajada. Que estejamos dispostos a andar na contracultura. Que estejamos dispostos a amar solidamente, enfrentando o esforço de ter que mudar se necessário, para satisfazer o outro, não a mim.

Que eu queira acolher o outro com seus defeitos e ajudá-lo na caminhada a se aperfeiçoar, pois é o roçar ombro a ombro que talha o diamante bruto escondido em cada ser humano.

É a renúncia ao prazer momentâneo para buscar sentimentos mais profundos de cumplicidade, companheirismo, parceria e por que não de erotismo e desejo? Podemos e devemos buscar os valores nobres cravados em cada ser humano para que sejam dignificados.

Sei que é fácil falar e aconselhar que não se relacionem liquidamente, contudo precisamos tentar encontrar em nós mesmos subsídios para tentar dar mais base aos nossos relacionamentos.

Necessitamos entender que não se pode coisificar uma pessoa. Que indivíduos não são seres descartáveis, como algo feito de plástico ou papel. Que não são comestíveis preparados em fornos de micro-ondas, mas que tem um coração, sentimentos, emoções da mesma maneira que você. Tentar andar no contra fluxo da história requer tempo, empatia (colocar-se na pele do outro), renunciar para seus desejos, apelos midiáticos, muitas vezes deixar para trás costumes e vícios que não lhe trazem benefícios de longa duração e somente momentâneos. Não, não se relacione liquidamente.

Amar verdadeiramente, é doar-se, entregar-se e receber numa harmonia de sentimentos que enleva e engrandece a alma!

Reflita sobre isso!

 

Silvia Geruza F.Rodrigues

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15 comentários

  • Cida Flor de Santana disse:

    maravilhoso. as palavras, os valores… tudo muito bem colocado em nesse texto. perfeito!

  • Valéria Miranda disse:

    Muito bom seu artigo, queria usa lo em meu tcc seria possível? Obrigada

  • Maria da Graça disse:

    Esse tipo de relacionamento virou moda não idade, mas eu acho que também é a formação de caráter, sou casada há 41anos
    Acredito que os valores de um ser humano começa consigo mesmo não se vê dão ao respeito chega uma hora que ficam vazio e aí vem a tristeza.

  • Alzenir Magon disse:

    É muito verdadeiro tudo aqui escrito. O mais difícil é fazer nossos amigos nos aceitarmos como somos.
    Em algumas pessoas tem que se errar a dose para se fortalecerem a dizer algo.
    Amigo. Amigo não se compra em qualquer lugar ou bar.
    Amigo. Amigo se conquista aos longos tempos.
    Adorei esse texto. Parabéns

  • Luana disse:

    Excelente texto! Venho mesmo me questionando sobre esses relacionamentos… Sair da relação como se estivesse deixando um fast food? Tudo muito estranho…
    A princípio quando li sobre o amor líquido fiquei indignada. Mas com o tempo enxerguei isso nas pessoas e em mim tbm. Olhar para essa realidade e enxergá-la me fez ver que não quero fazer parte disto! Quero mais para os meus relacionamentos! E vou/estou procurando melhorar meus pontos a cada dia.
    Acho que com esse individualismo todo, acabamos esquecendo de olhar para nós mesmos e nos estudarmos. Fácil falar do próximo é dar sugestões para o amigo…

  • Luana disse:

    Uma pena eu ter percebido tudo isso só agora, 5 anos após o seu artigo. Mas, como dizem, nunca é tarde…

  • Flavia disse:

    Tenho passado por isso… e estou me abatendo! A carência física é preenchida, mas a emocional ladeira abaixo… muito dificil fazer com que alguém realmente de fato queira dividir a vida com vc… sempre material, fisico e leveza e a profundidade dos sentinentos e relação sempre deixada de lado.

  • Claudia disse:

    Achei muito bem colocado esse texto. Bem dentro da nossa realidade. Outro dia conversando com uma amiga, coloquei que as crianças da nossa geração perguntavam aos pais se podiam comprar tal coisa e que agora as criançasnão perguntam, mas ordenam: “eu quero/compra pra mim/ me dá” E, depois de conseguirem, ficam por um tempo com o objeto e descartam por um novo…E crescem nesse mundo de facilidades, de descartar tudo e todos numa boa. E, nunca se viu tantos casos de depressão, suicídio motivados pela carência de amor, falta de afeto, solidão…Será que esses relacionamentos líquidos podem se manter? Pra mim não servem…Parabéns pelo texto!

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