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42- A História de uma Lenda- No jogo dividido pela cor, ele nos mostrou grandeza!

42- A história de uma lenda- No jogo dividido pela cor, ele nos mostrou grandeza!

Silvia Geruza F. Rodrigues

O filme 42 narra a história sofrida do primeiro jogador de basebol negro a entrar na liga nacional mais importante da categoria. O dono do time Sr.Rickey apostou no jogador Jackie Robinson, contratando-o apesar de saber de todas as lutas que ele e seu time enfrentariam. Logo após a segunda guerra mundial nos idos de 1947 Jackie Robinson que lutara bravamente no seu exército por sua pátria, Estados Unidos da América, para voltar e enfrentar segregação, racismo, petulância e humilhação.

Esta cinebiografia caiu nas mãos do casal Brian Helgeland e sua esposa Karen, que filmara a história de Ray Charles em 2004. Os diretores tiveram dificuldades de lançar o filme por não encontrarem financiadores para um filme que contaria a história de um negro jogador de basebol.

O que acabei de relatar, já seria suficiente para mostrar que o racismo ainda impera fortemente ao redor do mundo. Na Europa, nossos jogadores brasileiros continuam sendo xingados em campo com nomes de macacos e recebendo saraivada de bananas enquanto jogam. Nos Estados Unidos da América do Norte, recentemente, um jovem afro-americano foi assassinado por um branco coma  alegação de que pensou ser um assaltante, pela cor de sua pele e por usar um casaco com capuz na cabeça. O presidente Barack Obama, em seu discurso à nação, admitiu ser inconcebível tal ato e confessou que aquele jovem poderia ter sido ele próprio, pela cor de sua pele. Apesar de ter 40% de sua população negra, o Brasil continua sendo um país com o racismo fortemente arraigado em nossa sociedade. Doudou Diène, relator da ONU encarregado de avaliar a discriminação no mundo, descobriu que o racismo está crescendo no mundo e que no Brasil esta realidade não é diferente. Segundo ele, “estamos assistindo à legitimação intelectual do racismo de uma forma que não víamos alguns anos atrás. Samuel Huntington, professor da Universidade Harvard, publicou recentemente o livro Where Are We? (“Onde estamos?”), cuja tese principal é que a presença dos latinos na América do Norte é uma ameaça à cultura norte-americana. É um livro de muitas páginas, que legitima a discriminação da população latina nos Estados Unidos”.*

No Brasil, ainda se tem medo de usar a palavra negro para identificar sua própria cor. Infelizmente, pessoas desavisadas ou ignorantes sobre o problema do racismo no Brasil, ainda chamam os negros brasileiros de “pretos”. Geralmente retruco as pessoas que usam o termo errado avisando: preto é cor, negro é raça. Quantos ainda não utilizam a palavra “de cor” para descrever a raça negra. Ele é “de cor”. Este termo sofreu a influência americana que chamava os afro-americanos de “colored”- e na época da segregação racial explícita mantinha cartazes nos banheiros, nas entradas de estádios, em bebedouros: “colored”- “de cor”- e do outro lado “white”- brancos.

Mahatma Ghandi, lider indiano na década de 40, despertou para o preconceito e racismo inglês quando andando pelas ruas de Londres se viu obrigado a atravessar a rua para que um londrino não passasse pela mesma rua que ele, advogado, voltou para seu país e começou a lutar pelos direitos civis dos índianos mulçumanos na África do Sul, e voltando para a índia lutou contra a supremacia inglesa.

O filme 42, a história de uma lenda, mostra Branch Rickey ajudando Jackie Robinson a vencer a luta contra o racismo mostrando aos brancos que ele sabe jogar. Jackie Robinson não podia entrar em hotéis, sentar nos mesmos restaurantes que seus colegas, e teve que vencer o preconceito inclusive dos seus companheiros de time. Jogar com um “niger”? nunca! Um homem, Branch Rickey, colocou seu pescoço a prêmio por ele, por acreditar que poderia mudar toda uma mentalidade começando por um. Na vida real, No final do campeonato, já campeões, todos os jogadores de todos os times de basebol usaram a camisa 42 para mostrar quão orgulhosos estavam de Jackie Robinson. É costume aposentar uma camisa com o número de um jogador muito famoso: a camisa de Jackie Robinson- 42 foi aposentada, mas não antes da liga de basebol declarar o dia de Jackie Robinson e o homenagearem com todos os times de basebol usando o mesmo número: 42. A coragem do dono de um time de basebol – branco- e a determinação de um jogador negro em calar quando necessário e usar todo auto-controle possível para vencer apesar das vaias, da discriminação, do desprezo, conseguiram abrir caminho para outros jogadores negros em um esporte marcado pelo racismo.

No Brasil, o racismo não reside somente na cor da pele. Vivemos um racismo econômico e social. Quando se vê um negro dirigindo um carro bom, logo se imagina que ele seja o motorista, não o dono do carro. Quantos negros temos na política brasileira, em altos escalões do governo? Conta-se nos dedos. Por que a polícia geralmente para os negros dirigindo ou em motos, sempre pressupondo serem ladrões e assaltantes ou traficantes?

Recentemente ouvi uma entrevista onde o presidente da rede de televisão CBN, negro, ou afro-americano, falou que ensinou seus filhos a não reagirem quando fossem parados pela polícia porque senão eles teriam somente três destinos: “a cadeia, o hospital ou o cemitério! Parem o carro, abaixem a janela, mostrem seus documentos, saiam do carro se ordenados e tudo correrá bem!”

Que absurdo julgarmos alguém pela sua cor da pele! Como a cor de uma pele pode determinar quem eu sou? quem você é? A Ignorância paira em alguém que discrimina outra por sua raça, etnia, local de nascimento ou nação. Latinos, norte-americanos, europeus, africanos, todos imersos no universo criados pelo mesmo Deus- debaixo da mesma benção de serem filhos de Deus.

Amai uns aos outros. Apoiai uns aos outros. Respeitai uns aos outros- independente da cor, raça ou nação.  Fazendo assim, o mundo saberá que somos Seus discípulos.

Um homem, Schindler, alemão- resolveu quebrar a tradição e salvar o maior número de Judeus do holocausto que ele pôde.

Um homem, Branch Rickey, dono de um time de basebol, branco – resolveu quebrar a tradição e o racismo de um esporte, contratando e bancando um negro, Jackie Robinson, a vencer naquilo que gostava e sabia fazer- jogar bola.

Uma mulher, Rosa Parks, negra- um dia decidiu não dar seu lugar a uma branca e ficar em pé no ônibus- e isto fez toda a diferença para o fim da segregação racial ( pelo menos por lei) nos Estados Unidos da América do Norte.

Conceitos precisam ser quebrados, através de palavras, artigos, crônicas, mas também de atitudes e comportamentos. Minha oração é que possamos, homens e mulheres, de todas as raças, tribos, línguas e nações amar e aceitar um ao outro, pelo que somos interiormente, pelos nossos valores, pelas nossas habilidades, não pela cor da pele. Que aprendamos a amar nosso próximo também a ponto de lutar por ele e insistir na luta contra a injustiça racial e social.

Parabéns ao casal Helgeland, pelo belo filme e por espalhar essa bela história de garra e coragem! Não deixem de ver este filme sensacional.

PS: Não download este filme, nem pirateiem- dêem o máximo de dinheiro a ele, para que mais financiadores possam apostar em filmes que narrem histórias como essa e formem um dominó de mudança de atitudes por todo o mundo.

 

* citação extraída da Revista Raça Brasil numa entrevista de Doudou Diéne à jornalista  DAYANNE MIKEVIS. Extraída da internetno dia 21/07/2013.

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