Silvia Geruza F. Rodrigues
Duas frases ouvimos muito ultimamente: Deixe a vida fluir naturalmente e Navegar é preciso, viver não é preciso. (Esta última, frase de um escritor português, Fernando Pessoa, que até já se transformou em versão cantada por Chico Buarque e Maria Betânia). Entre elas duas, existe um mundo de diferença na filosofia de vida.
Claro que não podemos ser simplistas e achar que a vida não traz surpresas desagradáveis, independente de nossas escolhas. Há os desastres da natureza: vulcões, furacões, tornados, enchentes, alagamentos, tsunamis, que fogem às nossas mãos. E existem os maus que nos alcançam por causa das escolhas e atitudes inconsequentes dos outros ao nosso redor: é uma traição; um chefe que puxa nosso tapete; uma calúnia; uma mentira sobre nós que nos destrói e humilha; um amigo que nos rouba a confiança e o dinheiro. Enfim, escolhas erradas de outros que nos trazem problemas na vida. Contudo, em ambas as circunstâncias não podemos tomar a atitude conformista de: “Ah, foi Deus quem quis assim. Então, que assim seja. “Ou a de “deixar a vida fluir naturalmente.” E sim, devemos navegar. Isto sim é preciso.
Navegar a vida, tomar as circunstâncias adversas nas nossas mãos com o timão em frente e redirecionar o barco. Para navegar um veleiro, você geralmente precisaria de duas pessoas, mas se for bom, você conseguirá sozinho. Primeiro, antes de sair de barco, verifique a meteorologia: como está o tempo? Será que o mar está para peixe? Será que está com bons ventos? Vai chover muito? Estou preparado para navegar este veleiro sozinho?
Depois, verifique a segurança do barco: está tudo pronto? Tem furos? Posso confiar no colete salva-vidas? Estou com o apito e a luz carregada no caso de não voltar durante o dia?
As velas estão seguras? Tenho movimento de braço para movimentar as velas quando precisar me livrar dos maus ventos? As cordas estão renovadas e firmes? Tenho roupa apropriada?
Quando ventos fortes veem, você talvez necessite mudar a direção, envergar o corpo para lá, para cá e fazer as velas acompanharem o movimento do vento até chegar ao seu destino.
Se seu barco é maior- tem computador de bordo, você precisa ficar atento a pedras, a icebergs, a morros e morrotes para não deixar seu barco afundar. Mas, em qualquer tipo de barco, você precisa ser o seu próprio marinheiro e se ajustar às mais diversas intempéries que possam surgir no seu caminho durante a navegação.
Assim é a vida. Ela pode nos trazer momentos bons e momentos alegres, dependendo não somente de nossas escolhas, mas as dos outros que nos rodeiam e que exercem influência sobre nós e nossa felicidade. Contudo, não podemos deixar fluir naturalmente. Tome o timão do seu barco nas suas mãos, pilote com capacidade e firmeza, sempre com fé em Deus e em você mesmo, que você conseguirá sim sair de qualquer situação com coragem, garra, e sem conformismo. Contanto, que você tome sua vida nas suas mãos e não deixe com que nada nem ninguém lhe roube o direito à vida plena que você pode ter.
Não deixe a vida lhe levar- leve-a, direcione-a, envergue-se de vez em quando se necessário, assim como o carvalho que se curva nos ventos fortes para não se quebrar. Drible os problemas, enfrente-os, e saia lá na frente mais forte, navegando nos mares mais calmos, quando os turbulentos passarem, lembrando-se sempre que a tempestade pode durar uma noite, mas a bonança, dependendo do seu navegar, pode chegar pela manhã e você estará são e salvo emocionalmente também!

Ótimo texto. Parabéns.
obrigada linda Sil do RG!
veio a confirmar com meus últimos pensamentos de decisões sérias do momento. amo tu. abrc.
Amei!
Curtir e compartilhar, rs
Obrigada, bjs
Fascinante ler seus textos.
bj
grata querida, continue por aqui . bjo
Texto maravilhoso. Tenho sido edificada bastante com seus textos. Que Deus te abençoe mais e mais.
obrigada querida. Deus te abençoe também. Continue passeando por aqui. bjo
Parabéns, Silvia! Continue escrevendo reflexões edificantes, como esta. Um grande abraço, Gregório