A estupidez e loucura da infidelidade.
(Tradução livre do texto tirado do site http://thephilosophersmail.com/relationships/the-stupidity-and-folly-of-adultery/)
Se acreditar nos ideais do casamento é geralmente ingenuidade, também é acreditar que o adultério pode ser um antídoto eficaz para os desencantos do casamento.
O que está errado’ ,em última análise, com o adultério é seu perigoso otimismo.
Enquanto à primeira vista pode parecer uma atitude insensível e hipócrita se engajar num relacionamento extra-conjugal, o adultério, de fato, trai uma convicção absurdamente esperançosa de que alguém pode de alguma maneira mágica, ajeitar as dificuldades e empecilhos do casamento através de uma mentira.
Isto é não compreender os fatos da vida. É impossível dormir com alguém fora do casamento e não destruir violentamente as coisas que alguém ainda se importa dentro dele – mas, no caso de nos deixarmos levar com os charmes da fidelidade, é igualmente impossível permanecer totalmente fiel a um casamento e não perder os prazeres mais significantes que se encontram do lado de fora do casal.
Resumindo, quando o adúltero esquece o imenso preço daqueles por quem ele se importa e acreditam nele, não há solução.
Não existem respostas simples para as tensões do casamento, se o que alguém acha que é uma ‘resposta’ um arranjo no qual ninguém sai ferido ou sofre uma perda, na qual cada elemento positivo pode existir com outro, sem causar um grande dano ou evitar uma grande ferida. As três coisas que as pessoas geralmente querem nesta esfera – amor, sexo e família – cada um afeta e fere o outro de maneiras terríveis.
Amar uma pessoa pode inibir a habilidade de ter sexo com ela ou ele. Porém, guardar um segredo pode fatalmente colocar em perigo um relacionamento com um cônjuge que é amado, mas que não mais o excita.
Se ter filhos pode colocar em perigo tanto o amor quanto o sexo, por outro lado, negligenciar os filhos para focar no casamento ou nos prazeres sexuais, pode ameaçar a saúde e a estabilidade mental da próxima geração. A escolha não está entre a felicidade e a dor; tudo que é oferecido é uma forma variada de sofrimento.
Periodicamente, a frustração nos impulsiona a buscar uma solução utópica.
Talvez um casamento aberto funcione. Ou uma política de segredos. Ou uma renegociação de contrato em uma base anual. Ou dedicar-se mais aos filhos. Tais estratégias estão fadadas a falhar, pela simples razão de que a perda está escrita dentro das regras da situação.
Se ficarmos com uma e outra arriscaremos o amor de nosso cônjuge e a saúde mental de nossos filhos. Se não tivermos um caso, ficaremos entediados e perderemos toda a empolgação de novos relacionamentos. Se mantivermos um caso secreto, nos corroeremos interiormente e barraremos nossa capacidade de receber o amor do outro.
Se confessarmos nossa infidelidade, nosso parceiro (ou parceira) entrará em pânico e nunca se recuperará de nossas aventuras sexuais (mesmo que elas não tenham significado nada para nós). Se centralizarmos nossas energias nos nossos filhos, algum dia eles nos abandonarão para viver suas próprias vidas e nos deixarão solitários e miseráveis. Por outro lado, se ignorarmos nossos filhos para investir nas nossas buscas românticas como casal, poderemos ferí-los e criar neles um ressentimento sem fim.
Casamento é como uma colcha de cama que nunca pode ser totalmente passada: quando buscamos aperfeicoá-lo e melhorá-lo de um lado, os outros lados ficarão mais amassados e perturbados.
A única cura para a infidelidade é o pessimismo. Precisamos de novos votos mais tristes para trocar com os parceiros para ter uma chance honesta de fidelidade mútua por toda a vida. Certamente teremos que prometer coisas mais palpáveis do que os votos atuais. Por exemplo: Prometo ficar desencantado somente por você. Prometo fazer de você o único depósito dos meus arrependimentos, em vez de distribuí-los amplamente através de múltiplos casos e uma vida de um don juanismo sexual. Já pesquisei várias opções de infelicidade, e foi você a que escolhi para me comprometer.
Essas são os tipos de promessas generosamente pessimistas e gentilmente anti românticas que os casais deveriam trocar no altar.
Assim, um caso seria uma traição somente de um compromisso recíproco de se desencantar de uma maneira particular, não uma traição de uma esperança irrealista. Os cônjuges que fossem traídos não mais reclamariam tão furiosamente porque os seus parceiros ou parceiras não se sentiram felizes só com eles. Em vez disso, eles poderiam justamente gritar: “Eu estava confiando em sua lealdade à decepção que represento para você.”
Muitas pessoas começam relacionamentos colocando a ênfase moral no lugar errado, zombando da necessidade de sair fora do casamento como se fosse algo nojento e impensável. Mas, na verdade, é a habilidade de ficar que é valorosa e merece honra, porque permanecer fiel não é a norma.
A fidelidade é um ato heroico. Um casal desejar cuidar de suas vidas dentro da gaiola aconchegante do casamento, sem agir baseado nos seus impulsos sexuais para fora do muro, é um milagre de civilização e uma gentileza pela qual se deve ser grato diariamente.
Os cônjuges que permanecem fieis um ao outro deveriam reconhecer a escala de sacrifício que estão fazendo. Não há nada biologicamente ‘normal’ ou livre de um preço, numa renúncia sexual. A fidelidade merece ser celebrada como o mais alto ponto de uma imaginação ética – idealmente com algumas medalhas e toques de um tambor público– em vez de ser levada como uma norma comum cuja quebra merece rapidamente muita raiva.
Um casamento leal deveria sempre reter dentro dele uma consciência de imensa graça, pessimista e estóica generosidade que os dois estão mostrando um para o outro em evitar não ficar dormindo por aí com um e com outro (ou, por este motivo, se refrear de matar um ao outro). Isto é algo pelo qual o casal deve se manter realmente esperançoso.

A fidelidade é sem dúvida um dos traços mais fortes de um caráter, essa capacidade de alguém ser fiel.
É muito bom e confortante conviver com pessoas que são fiéis a seus compromissos, à sua palavra, à sua amizade, pessoas que conservam integridade.
Mas muito danoso quando o parceiro usa disso para mantê-lo cativo.
A fidelidade conjugal pra mim, é tbm retrato da sua vida em amplos aspectos; fidelidade carnal, fidelidade da mente e fidelidade do coração.
Não é fácil viver a dois, nem sempre a palavra certa é dita na hora certa, o que mina relacionamentos, quando a infidelidade acontece, acho que é porque algo se perdeu…nao há culpado no singular.
Não necessariamente Mara Byrne. Quando há traição o pensamento comum é de que haja algo errado no relacionamento e os dois estão em falta. Muitas vezes é o instinto do ser humano que quando deseja não consegue usar o auto controle ou a razão. O outro pode até estar fazendo tudo como manda o manual do bom relacionamento e mesmo assim ser traído.
Eu gostei do que foi escrito e concordo com o que foi dito.
Porque causar sofrimento a outra pessoa e ser egoísta, porque ?